A Câmara Municipal de Cuiabá promete votar hoje o pedido de Comissão Processante que pode custar o mandato do vereador Lutero Ponce (PMDB) acusado de desviar pouco mais de R$ 3 milhões dos cofres do Legislativo enquanto presidente da Casa, conforme aponta auditoria contratada pelo gestor atual, Deucimar Silva (PP). Os vereadores Ralf Leite (PRTB), Levi de Andrade, o Leve Levi (PP) e Julio Pinheiro (PTB) deverão se ausentar da sessão que terá voto aberto e precisa do voto da maioria dos parlamentares para instauração da Comissão Processante. Ainda não está confirmada a presença do vereador de primeiro mandato Néviton Fagundes (PRTB). O republicano Francisco Vuolo deu a entender que é contrário a abertura de uma Comissão Processante porque alega que o resultado da auditoria que apontou desvios de R$ 3 milhões deva ser aprofundado. Os elementos da auditoria devem ter outros encaminhamentos, a iniciativa da auditoria é válida, mas a empresa pode ter cometido erros. Ele afirma que é necessário mais legalidade neste processo. O procedimento legal é enviar este conteúdo ao Ministério Público Estadual e ao Tribunal de Contas do Estado, argumenta. Vuolo também negou que a Executiva municipal do Partido da República (PR) tenha orientado a bancada para alguma posição. Não houve nada disso, garantiu. Já o vereador Lúdio Cabral (PT) disse ontem que está dialogando com o diretório municipal e a militância petista para construir sua opinião. Não quero tomar uma posição contaminada politicamente, infelizmente tem sido divulgado notícias sem fundamento, alegou. O petista disse ainda que seu voto será resultado de diálogos com as bases do partido. A minha posição será objetiva porque quero ser coerente. O voto será crítico, objetivo e sem contaminação político-eleitoreira, ressalta. Único correligionário de Lutero Ponce na Câmara Municipal, o vereador Domingos Sávio prefere não polemizar a respeito de sua posição. Prefiro comentar apenas no momento da votação, não quero espaço para especulações, afirmou. O voto de Domingos Sávio é aguardado com ansiedade no meio político por conta das divergências declaradas com o ex-presidente do Legislativo cuiabano. A reportagem buscou durante a tarde ontem entrar em contato com outros parlamentares que permaneceram com seus celulares desligados. O líder do governo na Câmara Municipal, vereador de primeiro mandato Paulo Borges (PSDB), disse ontem que estava marcado para a noite uma reunião com a direção municipal da sigla para decidir qual caminho deve ser trilhado pela bancada. Será uma decisão partidária, vamos agir em conjunto e preservar a unidade do partido, disse Borges. (RC)