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Quinta-feira, 15 de Maio de 2008, 22h:04

LEGISLATIVO

Vereadores batem boca durante sessão

Motivação para celeuma foi a representação do pedido de afastamento do presidente da Câmara, Lutero Ponce, que revidou no plenário

ALECY ALVES
Da Reportagem
A Câmara de Vereadores de Cuiabá atravessa uma temporada de clima tenso, com troca de acusações e ânimos exaltados entre vereadores. A reapresentação do pedido de afastamento do presidente Lutero Ponce (PMDB) e processo por infidelidade partidária vêm sendo os principais motivos dos embates. Ontem, a briga entre Lutero e a petista Enelinda Scala que, pela segunda vez, em menos de três meses requereu a saída dele do cargo, ocupou grande parte da sessão. O bate-boca foi tão longo que sobraram farpas até para o prefeito Wilson Santos (PSDB) por causa das indicações de Lutero a cargos importantes dentro da Sanecap. Enelinda acha que alguém que está sendo investigado, como Lutero, não poderia fazer indicações de nomes de pessoas que vão gerenciar a verba do PAC-Cuiabá, mais de R$ 170 milhões. Enelinda pediu o apoio dos vereadores para aprovação do afastamento de Lutero. Entretanto, além de não dispor de uma única assinatura, pelo menos por enquanto, o presidente a chamou de demagoga. Disse ainda que se cansou desse assunto (acusações de irregularidades nas contas do Legislativo durante a gestão de Chica Nunes, hoje deputada estadual), e desligou o microfone na hora em que a vereadora falava. Enquanto argumentava aos vereadores que o afastamento seria bom para Lutero e o próprio Legislativo, o presidente a desafiava dizendo que provará que é inocente. Por algumas vezes, Lutero usou da autoridade do cargo para calar Enelinda. “A senhora quer falar? Eu vou falar, o tempo aqui é meu”, disse. À imprensa, Lutero disse que encaminhou cópia do relatório da auditoria feita nas contas da Câmara ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MT), Francisco Faiad, e ao do presidente do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Antônio Cavalcante Filho, o “Ceará”. Já o vereador Francisco Amorim, Chico 2000 (PR), se comportou como alguém que se sente vingado. Absolvido pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do processo de cassação de mandato por infidelidade partidária, ele disse que a decisão é uma resposta ao PPS, em especial ao vereador Ivan Evangelista, presidente do diretório municipal do PPS, que queria tomar sua vaga no Legislativo. “Ele (Ivan) propôs que eu assinasse em favor da abertura de uma CPI contra a Casa (a presidência da Câmara) em troca de uma declaração de erro do partido no envio de documento sobre minha filiação ao TRE”, desabafou. “Como não aceitei, usaram de má fé pedindo judicialmente o meu mandato”, acusou. Agora, avaliou, a resposta veio em forma de sentença, baseada na documentação sobre sua desfiliação. Na eleição de 2004, Chico 2000 tornou-se suplente de vereador pelo PPS, partido que abandonou 26 de fevereiro de 2007. A desfiliação dele só foi oficializada ao TRE em 16 de abril, menos de duas semanas depois da data limite definida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Ivan Evangelista não estava lá para ouvir Chico 2000. Na verdade, ele ficará ausente pelos próximos 15 dias por conta do pedido de licença para tratamento de saúde que apresentou na mesma sessão. A reportagem tentou, sem sucesso, falar com ele por telefone.

Edição EDIÇÃO 16962




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