Coberto pelo mármore que brilha sob o forte sol de Cuiabá, o túmulo de Dante de Oliveira é o mais visitado no cemitério Nossa Senhora da Piedade, no Centro da Capital. Funcionários descrevem que as visitas ao jazigo da família do ex-governador são praticamente diárias, inúmeras delas feitas por turmas de estudantes. A notoriedade política fez com que a sepultura de Dante superasse em visitações o recanto do corpo do monsenhor Alexandre Trebaure, sacerdote conhecido pela atuação em causas sociais e que morreu em 1939. Lino Epifânio da Silva, funcionário do cemitério há 35 anos, relata que a entrega de flores e velas no túmulo do tucano é hábito freqüente de amigos e familiares. O corpo de Dante foi sepultado no dia 7 de julho do ano passado. Silva lembra que aquele foi talvez o maior enterro que presenciou. Eleitor declarado do tucano, o coveiro descreve Dante como um grande homem. Ele ficou conhecido no Brasil inteiro e internacionalmente como o homem das Diretas Já. Esse é um marco que não sai da mente do povo. O jazigo de Dante está entre os mais de 3,5 mil túmulos abarrotados no cemitério secular. Sob a foto sorridente do político, a sepultura exibe uma de suas frases mais famosas: Jamais seremos um povo livre enquanto tivermos um só brasileiro analfabeto, um único compatriota desempregado, uma única criança passando fome nas ruas ou favelas. Fundado em 1815, o cemitério de Nossa Senhora da Piedade abriga os corpos de personalidades e membros de famílias tradicionais. No mesmo local está enterrado o corpo do pai de Dante, Sebastião de Oliveira. (JS)