Primeira Página
Sábado, 16 de Janeiro de 2010, 18h:49
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ENTREVISTA
Silval quer manter Terezinha na Setecs
Futuro governador de Mato Grosso, Silval Barbosa diz que não vai aceitar pressão política para indicação de cargos na composição do seu secretariado
JEAN CAMPOS
Da Reportagem
Candidato ao governo do Estado, o vice-governador Silval Barbosa (PMDB) se divide nesta fase de articulações entre reuniões institucionais e políticas. No intervalo de um encontro e outro, o peemedebista conversou com o Diário sobre a sua atuação nestes dias que antecedem a sua posse na chefia do Poder Executivo. Silval discute com o partido a composição do secretariado e garante que não deixará a chamada velha-guarda do PMDB mandar na sua gestão. Ele descartou a possibilidade também de Totó Parente, que recentemente deixou a secretaria de Desenvolvimento do Centro-Oeste, do Ministério da Integração Nacional, para compor a futura administração de Mato Grosso. Ele revelou que, no momento, está mais preocupado em buscar nomes para ocupar as secretarias que serão deixadas pelos gestores-candidatos. Silval sinaliza que pode manter a primeira-dama Terezinha Maggi (PR) na Secretaria de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social (Setecs). Um dos maiores desafios vistos pelo governador, a partir de abril, será tocar a máquina e, ao mesmo tempo, trabalhar na sua campanha eleitoral. Convicto de que dará continuidade ao governo Maggi, com melhorias nos setores da saúde e segurança pública, Silval Barbosa também comenta sobre as articulações com o PR, PT e DEM e se mostra confiante no apoio do deputado federal Valtenir Pereira (PSB). Diário de Cuiabá - Como estão os últimos dias de vice-governador? Silval Barbosa - Estou com uma agenda bem apertada. Estamos priorizando as conversas institucional e partidária, pensando na formatação do nosso governo que será suprapartidário. Os partidos que querem se manter no arco de aliança já trabalham com a possibilidade de ocupar o governo e estar ajudando também a governar. Estamos priorizando estas agendas, pensando na formatação do meu governo e trabalhando principalmente para compor as secretarias comandadas pelos secretários que deixarão os cargos para a disputa eleitoral. Minha principal preocupação é encontrar gestores para as secretarias de Ciência e Tecnologia, hoje comandada por Chico Daltro; a de Educação, por Ságuas Moraes; a Secretaria de Esportes e Lazer, com Baiano Filho; de Projetos Estratégicos, José Aparecido dos Santos, o Cidinho; e de Desenvolvimento Rural, sob gestão de Neldo Egon. O presidente do Detran, Teodoro Lopes, também sinaliza que deixará o departamento para pleitear cargo na Assembleia Legislativa. São muitas discussões até chegarmos à definição final. Diário - Existem encontros com dirigentes do PMDB para discutir justamente a composição do secretariado? Silval - O partido está se reunindo constantemente para discutir política, eleições 2010, e, automaticamente, discutindo como será a composição do governo. Esse é um dos assuntos que estamos discutindo com frequência. Diário - Tem alguma pressão dos aliados ou do próprio PMDB para essa composição? Silval Não! Não há pressão nenhuma e não vou aceitar pressão de nenhum partido. Quero montar um governo tranquilo, sem ceder a qualquer pressão de um lado e nem de outro. A responsabilidade é muito grande de assumir o governo e, por esse motivo, estou sendo muito cauteloso. Diário - Totó parente foi sondado pelo senhor para ocupar algumas das secretarias? Silval - Em momento algum conversamos sobre isso. O Totó Parente saiu do Ministério da Integração, em Brasília, e já está trabalhando no Rio de Janeiro desempenhando outras atividades. Ele é um companheiro, temos um ótimo relacionamento e já se colocou à disposição para ajudar na campanha. Tenho certeza de que se ele vier para Cuiabá estará ajudando muito, mas ainda não discutimos nada. Não discuti colocar Totó em alguma secretaria, nem com ele e nem com o partido. Diário - E a primeira-dama Terezinha Maggi, continua no staff? Silval - Esse é outro assunto que nós vamos discutir. Estive conversando com o governador Blairo Maggi (PR) sobre a possibilidade de manter a primeira-dama na Secretaria de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social. Também tive uma primeira conversa sobre o assunto com a dona Terezinha. Pretendemos manter o máximo do nosso governo para dar continuidade às ações e para não ter nenhuma interrupção de trabalho. Quem tiver disposição, quem estiver dentro do quadro, e indo bem nas secretarias, nós não pretendemos mexer. Isso significa que tentarei manter o máximo de secretários. Mas o que estou focado, neste momento, são os cargos que ficarão vagos por conta dos secretários que entrarão na disputa eleitoral. Diário - O governador Blairo Maggi fez alguma indicação ao senhor? Silval - O governador Blairo Maggi não indicou ninguém, nem fez qualquer indicação, me deu toda a autonomia para trabalhar. Ele está dando total liberdade para eu fazer minha composição. Mas com base na nossa amizade e, com certeza absoluta, quero ouvir as sugestões do governador. Se ele fizer alguma indicação, vou respeitar muito. Diário - Qual será o principal desafio assim que o senhor assumir o cargo de governador? Silval - Estou muito por dentro da execução dos programas do Governo, da execução do orçamento e, também, acompanhando o governo que já assumi por várias vezes, por mais de seis meses. O que também me ajuda é o fato de presidir as reuniões do Núcleo Sistêmico do Governo, onde me reúno com frequência com todo o secretariado para discutir os assuntos prioritários, acompanhar a execução das ações nas pastas e formular novos programas. Venho ajudando o governador Blairo Maggi na questão administrativa, pretendo continuar tocando todos os programas e discutindo com os partidos novas prioridades dentro do Governo. Nós temos o programa Panela Cheia a ser executado, temos o fortalecimento da agricultura familiar, a reestruturação da Empaer que também pretendo fazer. Nós vamos discutir a questão da saúde no Estado, até porque nós temos que abrir o Hospital Metropolitano, e, também, estamos com conversas bem avançadas para abrir o Hospital das Clínicas. Enfim, pretendo lançar uma série de ações dentro do Governo que podem somar às ações que já estão sendo executadas. Diário - Isso quer dizer que o senhor pretende trabalhar mais ativamente nos setores mais criticados na atual gestão? Silval - A busca pela melhora é constante dentro do Governo. Todas áreas essenciais sempre foram tocadas como prioridade deste Governo. Sempre procuramos melhorar a cada ano que passa e, neste ano, não será diferente. Vamos dar prioridade nas áreas principais que temos como gargalo: a saúde, a segurança pública e a educação. Todos os gestores procuram melhorar a cada ano que passa. É um ciclo! Diário - O senhor tem medo de não fazer uma boa administração? Silval Não! Estou supertranquilo. Temos um orçamento a ser executado, temos previsão orçamentária e, dentro da previsão orçamentária, nós estamos com um planejamento. Dentro de todas as ações que queremos desenvolver faremos previsão orçamentária. Você trabalhando dentro da realidade orçamentária, com planejamento e seriedade, não tem o por que temer fazer uma gestão que não seja a contento da sociedade. Temos programas importantes que não vão paralisar, que é o programa de infraestrutura, construção e recuperação de estradas e habitação que são de recursos específicos, do Fethab, que não tem como parar. Mas daremos prioridade, dentro desses recursos do Fethab, à execução das obras importantes da Copa do Mundo de 2014, em Cuiabá e Várzea Grande. Nisso, vou trabalhar com carinho e dedicação em cima da execução dessas obras, que são a melhoria da mobilidade urbana dessas cidades e o estádio Verdão. Os assuntos ligados à Copa serão tratados com muita responsabilidade na minha gestão, assim como já estão sendo tratados. Diário - A chefia do Poder Executivo trará algum benefício à sua candidatura ao Governo? Silval Nenhum! Pelo contrário, você estando com total liberdade e não estando na obrigação da gestão terá mais tempo. Você não estando na gestão pode tirar uma licença e trabalhar campanha 24 horas. Ou seja, meus adversários terão mais tempo para trabalhar candidatura. No meu caso, terei que trabalhar no período integral durante a semana no Palácio Paiaguás. Terei o período da noite, os finais de semana e feriados para trabalhar campanha. Você tem que adequar a gestão à necessidade de consultar as bases eleitorais. Mas não vou me descuidar um minuto, vou tratar com prioridade a gestão porque estamos com a execução do orçamento e dos programas de governo. Diário - Mas o senhor pretende ir para o corpo-a-corpo? Silval - Já estou no corpo-a-corpo, conversando com os partidos. Quero viajar e percorrer o Estado da mesma forma que faço desde que ingressei na política. Sempre fui muito presente nas regiões, independente de candidatura ao governo. Fui deputado estadual e isso me habilita a falar que estou presente nos municípios de Mato Grosso. Diário - Como andam essas conversas com os partidos? Silval - Muito bem! Estou conversando com o PP e seus líderes como o secretário Chico Daltro, o deputado Riva e o deputado Eliene. Conversando muito com o deputado Valtenir Pereira que, desde antes da filiação do Mauro Mendes ao PSB, viajou várias vezes comigo, sempre conversando em torno de uma possível composição. Estamos conversando com vários partidos, com PT, PRB, PSL. Até com o senador Jayme Campos (DEM) eu tive várias conversas. E, daqui até abril, quando eu assumirei o governo, a tendência é de que essas reuniões aumentem. Diário - Qual desses partidos com quem o senhor dialoga está mais próximo do PMDB? Silval - Nós temos o PR, numa articulação muito forte, do qual possuo o aval e grande apoio do governador Blairo Maggi para tocar o projeto majoritário. O PT também dialoga conosco numa possibilidade quase concreta de compor. Com o PRB e o PSB também estamos conversando muito. Diário Então, o senhor mantém o diálogo com o deputado Valtenir Pereira? Silval Constantemente! Até porque o Mauro Mendes veio até o meu gabinete, em audiência, oficializar que não era candidato. Até que ele me fale o contrário, eu confio na palavra dele de que tentará se eleger. É por isso que estou constantemente conversando com o PSB, na pessoa do deputado Valtenir, que tem criado uma expectativa de uma possível composição. Diário - E o senador Jayme Campos? Silval - Se ele não for candidato, farei de tudo para trabalharmos numa composição. Todas as minhas conversas com o senador foram informais, mas não descarto conversarmos com a finalidade de reforçar um projeto conjunto. Diário - Como o senhor avalia o cenário de hoje até o lançamento oficial das candidaturas? Tem muita coisa pra mudar? Silval - Estou muito focado na candidatura do PMDB que é a minha. Desde que colocaram a minha pré-candidatura, venho crescendo constantemente nas pesquisas e com grande consistência. Estou muito feliz pelo que fiz até agora e com os números que são apresentados. Isso me deixa otimista, empolgado para a disputa. A aceitação tem sido muito boa e eu agradeço ao público que tem me dado apoio. As discussões que estão acontecendo me deixam com grande expectativa de, em junho, estar com grande crescimento e um arco de aliança consistente que me dê condições e tranquilidade de disputar sem estar com a preocupação de quem será o meu adversário. Antes de olhar para os futuros adversários, estou tratando de me fortalecer. Diário - A chamada velha-guarda o PMDB corre o risco de voltar ao comando do Estado quando o senhor assumir a máquina? Silval - Eu já falei e repito: quem vai governar é Silval Barbosa. Aqueles que eu considerar importante que eu possa contratar ou escalar para me ajudar a governar, eu vou escalar. Não quero ingerência de ninguém. Quem vai fazer a gestão é Silval Barbosa e todos que estiverem no quadro vão estar sob a gestão e responsabilidade do governador. Tenha certeza de que quero formar o melhor quadro possível para dar continuidade ao grande governo que nós estamos fazendo para a sociedade mato-grossense. Diário - Eleito, o senhor representará a continuidade do governo de Blairo Maggi? Silval - Considero que sim, até porque avalio que estamos fazendo uma grande gestão. Eu sempre tenho falado pro Blairo que serei uma continuidade, mas quero fazer melhor ainda que o governo de Blairo Maggi. As condições me permitem dizer isso porque, a cada ano que passa, o orçamento vem melhorando. Com isso, sou obrigado a corresponder com a melhoria dos recursos.