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Sábado, 01 de Dezembro de 2007, 09h:22

ELEIÇÕES DIRETAS

Serys tenta se manter no comando do PT

Principal adversário, o deputado Carlos Abicalil fez uma campanha que, publicamente, evitou disparar críticas contra a senadora

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
Os parlamentares Serys Slhessarenko e Carlos Abicalil têm hoje o embate final no Processo de Eleições Diretas (PED) do PT pela nova gestão do diretório estadual do partido. Num verdadeiro "duelo de titãs" eleitorais, o vencedor terá diante de si a responsabilidade na condução da sigla rumo às Eleições 2008, em especial de Cuiabá. A senadora e o deputado federal são os fortes "prefeitáveis" da legenda ao Palácio Alencastro. Ao sustentarem a prioridade à candidatura própria do PT na Capital, ambos procuram refutar a pressão dada como natural: A leitura é de que o vencedor no PED terá em mãos o credenciamento ou ao menos um impulso maior de filiados à candidatura à Prefeitura. "Isso não valida nada, em absoluto. As melhores decisões são tomadas com serenidade", declara Abicalil. "A decisão é do partido. Inclusive um presidente pode ser eleito e não ter a força de maioria no diretório. Nunca tive maioria. Isso só aconteceu de 2005 para cá. Além disso, isso não se dá de forma linear", observa Serys. O currículo político dos postulantes revela o peso no duelo de forças. Eleita senadora, Serys já foi deputada estadual por três mandatos e hoje é a presidente do diretório estadual do PT. Ela já disputou a prefeitura de Cuiabá, sem sucesso, em 1988 e em 2000. Na outra frente, Abicalil foi o deputado federal mais votado em 2006, conquistando a reeleição na Câmara Federal. Ambos são professores e têm nessa área o principal mote da atividade parlamentar. No PED, apesar de rivais, semelhanças no discurso são identificadas. Numa roupagem talvez tradicional, ambos exaltam a meta de trabalho constante pelo fortalecimento do PT em Mato Grosso, pela formação política da militância petista e pelo crescimento do número de filiados. Por outro lado, duas críticas embutidas no discurso dos postulantes colocam a disputa à prova de ferro e fogo: De um lado, Abicalil reclama da falta de debates e a realização de convenções entre líderes do partido em todo o Estado; de outro, Serys observa que o programa de cursos de formação política e a uma agenda mais extensa de eventos foi comprometida pelas dívidas herdadas ao assumir o diretório, que antes era ocupado pelo atual deputado Alexandre César, companheiro fiel de Abicalil na corrente 'Construindo um Novo Brasil'. Segundo Abicalil, nos últimos dois anos não houve sequer um encontro de dirigentes ou filiados em geral, o que mina o debate na legenda. "O petista não se reconhece simplesmente pela ficha cartorária. Isso (o debate) é uma riqueza do PT que não se pode perder". No discurso oficial, Abicalil nega de antemão que a "crítica construtiva" seja direcionada a Serys. Ele alega que o alerta segue ao conjunto PT. "A atual gestão não teve atuação intensa nisso. Mas não sou daqueles que nominam problemas. Há outros setores que o preferem assim, mas a direção é colegiada e tanto virtudes quanto defeitos devem ser tratados coletivamente", afirma. Serys rebate as reclamações. A dirigente lembra que o montante de R$ 900 mil em dívidas internas, sem contar as dívidas da campanha de 2004, inviabilizou a pauta de debates em grande parte. "Não tínhamos como cumprir a meta de formação política da militância e queremos fazer esse trabalho agora. Tivemos um primeiro ano com sérias dificuldades financeiras, com dívidas de aluguel, água, energia, salários atrasados e funcionários sequer com a carteira assinada. Encontramos uma dívida impagável. Sem contar que dívida de Caixa 2 eu não pago", alfineta a senadora, em alusão às denúncias movidas contra Alexandre Cesar, na gestão apoiada por Abicalil. Recentemente, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) acatou a representação proposta pelo Ministério Público Eleitoral contra o parlamentar, que agora é réu em ação criminal.

Edição EDIÇÃO 16963




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