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Terça-feira, 17 de Maio de 2011, 21h:09

INFIDELIDADE PARTIDÁRIA

Serys quer reverter punição na Nacional

A ex-senadora teme que o parecer da comissão de ética seja mantido pela direção estadual e recorreu ao diretório nacional

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
A ex-senadora Serys Slhessarenko entrou com uma ação cautelar no diretório nacional do PT pedindo o cancelamento do processo por infidelidade partidária a que responde na comissão de ética diretório de Mato Grosso. Segundo a petista, o processo contém vícios técnicos. A comissão de ética já deu parecer pela expulsão da ex-senadora do PT. O caso será votado no próximo dia 29 pelos membros da direção estadual, formada por 47 pessoas, que podem manter a punição sugerida ou aumentar ou diminuir a pena. O problema, segundo a ex-senadora, é que tanto a comissão de ética quanto a direção do PT no Estado é formada, em sua maioria por membros de grupo de oposição ao dela. A ex-senadora teme que com esse quadro o pedido de expulsão possa ser acatado. “Foi a direção estadual que aceitou denúncia contra mim e que determinou responder a processo na comissão de ética. Eles têm maioria e por isso eu não pude ser candidata ao Senado”, disse a ex-parlamentar. O recurso tentando anular o processo foi encaminhado ao presidente nacional do PT, Rui Goethe Falcão. Ela não soube informar em quanto tempo deve sair uma decisão. Entre os vícios técnicos, a ex-senadora aponta que a comissão de ética não considerou sua defesa durante o processo. “Eu não entendo por que eles querem me expulsar do partido. Quem sou eu hoje? Sou uma cidadã comum filiada ao PT. Não tenho poder, não tenho mandato, não tenho cargos. Mas eu não vou abrir mão da minha filiação ao PT. Tenho 20 anos de mandato por esse partido, sem uma advertência sequer no histórico. Vou lutar até o fim para continuar no meu partido”, disse a ex-senadora. Além de Serys, o vereador cuiabano Lúdio Cabral e outros militantes petistas respondem a processo dentro da legenda por infidelidade partidária. Eles são acusados de não fazer campanha para o candidato majoritário da legenda e ainda manifestar apoio para candidato de coligação da oposição. Serys queria ser candidata à reeleição em 2010, mas o então deputado federal Carlos Abicalil foi candidato ao Senado. Os dois se enfrentaram em prévias dentro do partido para a definição de quem seria candidato. Abicalil, que era o presidente do partido, saiu vencedor. No entanto, Abicalil, que foi candidato ao Senado, e Serys, que acabou candidata a deputada federal, não conseguiram se eleger. Durante todo o período eleitoral Serys fez manifestações contrárias ao candidato do seu partido. Presidente do PT em Mato Grosso, o deputado federal Ságuas Moraes, que é “do grupo” de Abicalil, já manifestou não concordar com a expulsão de Serys do partido, já que ela manifestou que quer ficar. Ele sugere que a pena seja abrandada com uma suspensão e disse inclusive que ligaria para os outros membros do diretório com essa orientação. Serys disse que prefere acreditar na declaração do presidente. “Se ele disse, eu acredito. Ele é o presidente do meu partido, espero que ele esteja sendo sincero, pois eu vou fazer de tudo para continuar no PT”, disse a senadora.

Edição EDIÇÃO 16962




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