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Sexta-feira, 29 de Outubro de 2010, 19h:37

COMUNICAÇÃO

Savi recua sobre criação de conselho

Repercussão negativa pode ter interferido na decisão do deputado estadual de não discutir mais o pré-projeto sobre conselho estadual

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
O presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Mauro Savi (PR), desistiu da ideia de propor a criação do conselho estadual de comunicação Social. Ele oficializou ontem que não vai mais levar adiante a discussão sobre o tema. Diante da repercussão negativa do pré-projeto, o deputado resolveu não dar continuidade à discussão. “Muita gente nem leu o conteúdo e já começou a criticar”, disse o deputado. Ele fez questão de frisar que não se trata de “arquivar o projeto”, porque ele ainda não existe. “Eu não entendo por que toda essa repercussão se o projeto não existe de fato”, reclamou o deputado. Dois dias antes, o deputado havia afirmado que não desistiria da discussão e faria audiências com as entidades interessadas. Agora já não pensa mais no assunto. Entidades que representam os meios de comunicação - como Associação Nacional dos Jornais e Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV, além da OAB nacional - são contrárias às propostas de criação de conselhos nos Estado por entenderem que ferem a Constituição Federal e podem causar embaraço ao livre direito de informar. Mesmo com muita polêmica, o Ceará já criou um conselho e mais três estados - Bahia, Alagoa e Piauí - se preparam para a implantação dos seus. A criação desses conselhos foi uma recomendação da Conferência Nacional de Comunicação, realizada no ano passado, convocada pelo governo federal. Porém, a matéria é polêmica, dividindo entidades da própria classe de comunicação. Para a ANJ, esses conselhos significam uma forma de controle aos meios de comunicação, voltando ao tempo da censura. Em Mato Grosso, como o deputado fez questão de ressaltar, que o projeto ainda estava em fase de elaboração e seria discutido com o Sindicado dos Jornalistas e outros entes da sociedade, antes de ser apresentado na Assembleia Legislativa. Pelo pré-projeto, o governo do Estado daria as condições necessárias para o funcionamento do Conselho, porém o fórum deveria “ser autônomo e democrático”. O sindicato defende o fórum argumentando, por exemplo, que outras profissões têm órgãos reguladores, como os advogados, médicos, engenheiros, etc. Porém, o presidente da OAB de Mato Grosso, Claúdio Stábile, lembra que nenhuma desses órgãos tem indicação do governo em sua composição. Conforme o esboço do projeto, o Conselho seria formado por 20 membros, sendo a metade formada só por membros do governo, representantes das secretarias de Comunicação, Educação, Ciência e Tecnologia, Imprensa Oficial e dois deputados estaduais. Os outros 10 membros seriam representantes da sociedade civil. Vários deputados da Assembleia, mesmo com a matéria ainda não tendo tramitado na Casa, já se manifestaram contrários e disseram que não aprovariam o projeto, assim como o próprio governador Silval Barbosa (PMDB).

Edição EDIÇÃO 16967




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