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Sábado, 04 de Outubro de 2014, 14h:59
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Salles quer se pautar por temas relevantes
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
Diário - Qual será a sua postura como senador? Salles - Quero discutir questões importantes sobre a construção do futuro do nosso país, nossa identidade, cultura e questões importantes também para a democracia, como a liberdade de expressão, crenças religiosas e valores da família, que serão temas muito discutidos no próximo mandato. Diário - Quais ações pretende implementar com o intuito de ajudar no desenvolvimento do estado de Mato Grosso? Salles - Não podemos pensar logística somente em escoamento para produção, pois é fator de integração. Hoje, a logística de Mato Grosso desintegra até de maneira física o Estado, por isso defendo que a viabilização do escoamento da produção, em uma integração de diversos modais, hidroviária, ferroviária e aeroviária. Diário - Sua prioridade no primeiro ano de mandato? Salles - Quero cobrar que o governo federal assuma o controle da fiscalização das fronteiras do Brasil com a Bolívia, pois cada vez mais nos transformamos em corredor de tráfico. A nossa criminalidade tem aumentado em função disso. Quero focar em melhorias para a nossa logística além de rediscutir a destinação de orçamento do SUS, pois entendo que há uma concentração na saúde nas cidades-polos, e devemos regionalizar as tabelas do SUS, para provocar interiorização da saúde. Diário - O que pensa sobre o Pacto Federativo? Salles - Eu fui prefeito e sempre me preocupei sobre equilíbrio financeiro da prefeitura, e senti na carne o quanto os municípios sofrem com a atual distribuição de receitas. Defendo uma revisão do pacto federativo, e radical, onde as receitas devem ser melhor divididas entre União, estados e municípios. É nos municípios que as pessoas vivem e têm necessidades. Essa distribuição atual é injusta e ineficiente. Os recursos são gerados nas cidades, e é nela que as pessoas vivem e os serviços são prestados. Hoje a competência de um prefeito não é avaliada na administração do recurso que ele tem, mas da capacidade de estar em Brasília atrás de emendas. Um prefeito correto, muitas vezes, deixa de pegar recursos por causa de meios nada republicanos que são oferecidos. Diário - Qual sua posição sobre o aborto? Salles - Eu apoio ao atual modelo praticado no Brasil, ou seja, a ilegalidade do aborto, porque eu defendo o direito à vida. Diário - E a liberação das drogas? Salles - A descriminalização da maconha seria um erro, inclusive a liberação poderia abrir portas para o aumento do consumo e a futura legalização de outros entorpecentes além da maconha. Diário - O que pensa a respeito das emendas parlamentares? Salles - A emenda parlamentar é um remédio provisório por um equivoco sobre distribuição dos recursos conforme falei em relação ao pacto federativo. Tem que descentralizar estes recursos, sair de Brasília e ir para os municípios. Quem conhece a realidade do município é o prefeito, portanto eu entendo que se o recurso estiver na prefeitura ele será mais bem destinado. É uma distorção esse excessivo recurso na União e criaram a emenda. Num primeiro momento, deve ter atendido a demanda, mas hoje vemos os congressistas destinando emenda de acordo com a sua base eleitoral, ao invés de destinar pela necessidade dos estados.