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Quinta-feira, 11 de Fevereiro de 2010, 11h:04
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EFEITO PACENAS
Queixa-crime desencadeia crise no PSDB
Ex-senador Antero Paes de Barros promete invocar o juiz Julier Sebastião da Silva e o procurador da República, Mário Lúcio Avelar, contra Avalone
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Às vésperas de uma possível candidatura à majoritária na eleição de 2010, o PSDB vive uma crise interna. Além dos desentendimentos políticos, as discussões passaram agora para o campo jurídico. Ontem, em entrevista coletiva, o ex-senador e membro da Executiva estadual da sigla, Antero Paes de Barros, reagiu à queixa-crime proposta contra ele pelo suplente de deputado estadual da legenda, Carlos Avalone. Esse processo não é só contra mim, mas contra a liberdade de imprensa, contra a garantia constitucional de ter opinião, afirmou Antero. O engenheiro, empresário e suplente Carlos Avalone está processando o correligionário por injúria e difamação, por causa de comentários feitos pelo ex-senador no Programa do Antero, transmitido pelo canal 47. No programa, Antero questionou um possível acordo entre Chica Nunes (DEM), na época ainda no PSDB, e Avalone. A deputada pegaria licença para o suplente assumir e assim ter foro privilegiado no processo Pacenas. Além disso, Antero também acusou Avalone de comandar as empresas envolvidas no escândalo. Como é advogado, Antero afirmou que vai fazer a própria defesa. De forma inusitada, ele já adiantou que irá indicar como testemunhas o procurador da República Mário Lúcio Avelar, o juiz da Justiça Federal, Julier Sebastião da Silva, e o delegado da Polícia Federal Márcio Carvalho. Todos atuaram nas investigações e julgamento da operação Pacenas. Em agosto do ano passado o empresário foi preso, junto com outras 10 pessoas, acusado de fraudes nas licitações do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), no caso conhecido como operação Pacenas. A queixa-crime tramita no Juizado Especial Criminal Unificado de Cuiabá. Até a semana que vem Antero deve apresentar a contestação contra as acusações. Na ação de Avalone contra o colega de partido consta que no dia 8 de outubro Antero afirmou que tudo isso cheira muito mal. Isso ao invés de ser um instrumento de defesa para quem precisa da opinião pública é quase uma confissão. Os injustos se unem para impedir que a Justiça seja feita, triste papel, falando sobre o possível acordo de Avalone e Nunes. Já no dia 15 de dezembro, segundo a queixa-crime, o apresentador afirmou no programa que as empreiteiras, conforme as gravações da Polícia, foram lideradas pelo dublê de político e empresário Carlos Avalone. Pelos anos em que trabalha na imprensa, Antero classificou como uma grande surpresa essa ação. Me surpreendeu muito o fato porque sempre atuei na imprensa de jeito contundente e duro com os adversários, mas nunca fui processado por isso. Não é só porque ele é do mesmo partido que eu não vou contestar. Já enfrentei a censura da ditadura, enfrentar a censura desse deputado vai ser fácil, afirmou Antero. Outro argumento apresentado pelo ex-senador em sua defesa foi o direcionamento de Avalone na denúncia. Diversos meios de comunicação de Cuiabá deram a notícia do acordo que daria privilégios a Avalone na Justiça. Por que a queixa foi apenas contra mim?, questionou o ex-senador.