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Segunda-feira, 12 de Abril de 2010, 22h:29

Quatro acusados de corrupção continuam foragidos

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Quatro pessoas acusadas de envolvimento num esquema de corrupção na Funasa, envolvendo Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público - as Oscips – continuam foragidas. São eles: a diretora do Instituto Idheas, Maria Guimarães Bueno de Araújo, o presidente do instituo Creatio, Luciano de Carvalho Mesquita, o advogado ligado à Idheas, Ronildo Lopes do Nascimento, e o diretor comercial da Oscip Idheas, Celino Henrique Lugon de Fraga. Diferente dos outros, Celino teve a prisão decretada pela Justiça Federal apenas no domingo. Como argumento para o pedido de prisão, a Polícia Federal afirma que ele encontra-se com documentos e notebook que interessa à investigação. Além disso, ele estaria dando guarita a Maria Guimarães Bueno. Djalma Rodrigues Porto, servidor da Funasa, também estava foragido, mas foi preso no sábado à noite, no Acre. Ele exerceu função comissionada na Funasa como chefe de administração até o início de 2009, ocasião em que foi afastado após ser presos em uma investigação relacionada a fraudes no INCRA, conforme aponta investigação da PF. O relatório da Controladoria Geral da União (CGU) aponta a ampla participação dele nos desvios de recursos dirigidos às empresas Intertours, Shoptours e MJB. A Polícia Federal deflagrou a operação Hygeia na quarta-feira passada. As investigações apontaram desvio de mais de R$ 51 milhões da Funasa e do Ministério das Cidades, porém, conforme auditoria da Controladoria Geral da União (CGU), o rombo pode chegar a R$ 200 milhões. O suposto esquema era orquestrado por agentes políticos ligados ao deputado Carlos Bezerra (PMDB), diretores de Oscips e servidores da Funasa e de prefeituras do interior. No total, 36 mandados de prisões temporárias – cinco dias - foram expedidos, mas apenas 27 pessoas estão presas temporariamente. Das 31 prisões feitas na semana passada, a Justiça Federal determinou a prorrogação para 26. A Polícia Federal argumentou que, soltos, os acusados podem coagir as testemunhas ou eliminar provas que confirmem o desvio de dinheiro público. A Justiça concedeu revogação de prisão para cinco pessoas: o servidor da Funasa, Idio Nemésio de Barros Neto; a empresária Ana Beatriz Muller; Francenylson Luiz Dantas dos Santos; Rodrigo Guerra Duarte; e Willianes Pimentel de Oliveira. De acordo com decisão do juiz plantonista da Justiça Federal, José Pires da Cunha, Ana Beatriz foi solta porque está contribuindo com as investigações, prestando os esclarecimentos necessários. Já o advogado de Ídio Nemésio de Barros, Vilson Neri, afirma que a prisão de seu cliente foi um equívoco da Justiça, visto que ele, segundo Neri, foi um dos denunciantes do esquema da Funasa, há mais de dois anos. Em depoimento a PF, Idio afirma que o deputado Carlos Bezerra é quem faz indicações para os cargos de chefia dentro da Funasa de Mato Grosso. “Com essa operação Tabajara da Polícia Federal, vai ser difícil pegar os verdadeiros culpados. A PF confundiu relatórios e notas da CGU, prendendo quem não deveria e deixando tempo para os culpados limparem as provas”, reclamou o advogado.

Edição EDIÇÃO 16967




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