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Sábado, 11 de Junho de 2011, 14h:20

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PT cresce no país e definha em MT

Há um ano, situação da sigla era muito diferente da atual

HUMBERTO FREDERICO
Da Reportagem
Há nove anos o PT elegeu Luiz Inácio Lula da Silva como presidente da República e conseguiu eleger a sucessora dele, Dilma Rousseff, no pleito do ano passado. Junto com esta ascensão, praticamente todos os estados assistiram ao crescimento da sigla. Em Mato Grosso, o fenômeno foi inverso. O ano de 2010 começou com o PT tendo uma senadora, Serys Slhessarenko, o deputado federal com maior número de votos no pleito de 2006, Carlos Abicalil, e dois deputados estaduais, Ademir Brunetto e Ságuas Moraes. Hoje, o PT se resume a um deputado estadual, Ademir Brunetto. Nos próximos dias, Ságuas Moraes sairá da Câmara Federal, dando lugar a Nilson Leitão (PSDB). O cientista político Alfredo da Mota Menezes avalia que, para se reconstruir no Estado, o PT terá que aparar arestas internas, mas ele não vê essa vontade em nenhuma das duas alas que dividem a sigla em Mato Grosso. “Para o petista, o partido já está no fundo do poço, e para sair dele eles acham que terão que chegar ao inferno, “eliminando” uma das alas. O que eles não entendem é que se não darem as mãos, será difícil sair desta situação”, avalia o cientista político. Menezes citou como exemplo a disputa da prefeitura de Cuiabá no próximo ano. Segundo ele, seria bom para o partido ter candidato próprio, a fim de fortalecer a chapa de vereadores. Mas o cientista acredita que as brigas vão impedir que o PT lance alguém. “Como que o PT, o maior partido do país, tem apenas um vereador em Cuiabá e nenhum em Várzea Grande? A sigla tem que ter candidato, pois dificilmente terá vereadores eleitos no próximo ano. Mas por mais absurdo que possa parecer, uma ala elimina a outra”, disse. Apesar das brigas internas, Menezes não acredita que este seja o fator primordial a explicar as derrotas no pleito do ano passado. Segundo ele, devem-se ser estudados os motivos da pífia votação do ex-deputado federal Carlos Abicail ao Senado, já que ele ficou em 5º lugar na Capital, atrás dos eleitos Blairo Maggi (PR) e Pedro Taques (PDT), e dos adversários Antero Paes de Barros (PSDB) e Procurador Mauro (Psol). “As pessoas só falam de briga, mas faltou voto. Lógico que as brigas influenciaram, mas como explicar o fato de ele (Abicalil) ter perdido até para um candidato inexpressivo como o procurador Mauro? Os petistas devem mesmo é saber por que Abicalil se saiu tão mal na última eleição”, finalizou. A briga dentro do PT iniciou-se quando o então deputado federal Abicalil anunciou que seria candidato ao Senado. Serys, então senadora, entendia que a vaga naturalmente seria dela, por já ocupar o cargo há oito anos. O presidente regional do PT, Ságuas Moraes, preferiu minimizar a briga entre Serys e Abicalil para justificar a derrota. “Não há um fato lógico. É claro que a disputa da Serys e do Abicalil ajudou a nos enfraquecer, mas não foi a única causa. Faltaram apenas dois mil votos para eu me garantir na Câmara dos Deputados, e dois mil votos para que o Alexandre César se elegesse deputado estadual”, disse. Apesar de muitos criticarem a postura do seu antecessor, Carlos Abicalil, na presidência do partido, Moraes disse que nada vai mudar na maneira de se conduzir o PT. ”Nós vamos continuar fazendo o que sempre fizemos, trabalhar junto com os nossos militantes. O partido não mudou e nem vai mudar em nada. Já começamos os encontros regionais para discutir as eleições de 2012, e vamos trabalhar para fortalecer ainda mais o PT em Mato Grosso”, declarou ele. Moraes deve perder a vaga nos próximos dias após o TSE ter decidido esta semana recontar os votos do policial aposentado William Dias (PTB), que foi candidato a deputado federal.

Edição EDIÇÃO 16967




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