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Sábado, 14 de Fevereiro de 2009, 13h:44
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Preconceito preocupa promotor
ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
O promotor de justiça de Poconé, Rinaldo Almeida Segundo, primeira autoridade a ouvir o menor D.C.B.S, de 17 anos, detido em flagrante junto com o vereador Ralf Leite (PRTB), após o escândalo, afirmou que o adolescente garantiu não ter sofrido pressão nem assediado por policiais militares e nem por interlocutores do parlamentar. Além disso, o menor travesti e a sua mãe disseram ao representante do Ministério Público Estadual (MPE) que temem retaliações de populares e vizinhos depois do episódio ocorrido há 10 dias. Eles estão assustados, mas disseram que não temem represálias por parte da PM nem do vereador. Mas, sim, dos vizinhos e moradores daqui de Poconé, explicou o promotor. O adolescente, que se prostituía na região conhecida como Zero- quilômetro, em Várzea Grande, também afirmou que preferia não ter estrelado o episódio policial envolvendo Ralf. O jovem deu a entender que, depois da sexta-feira, pode enfrentar problemas com as colegas que dividiam o mesmo ponto de prostituição. Rinaldo também pontuou que, a partir do depoimento do menor, ficou claro que não há nenhuma vontade de prejudicar nem os policiais envolvidos nem o vereador Ralf Leite. Além de não ter sido procurado, ele garantiu que não conhecia os policiais nem o vereador Ralf Leite, enfatizou. No mesmo depoimento, na presença de sua mãe, do promotor e de um representante do Conselho Tutelar de Poconé, o menor desmentiu a versão de Ralf de que os policiais teriam agido com truculência e cobrado propina em troca da soltura do parlamentar de primeiro mandato. Ele também afirma que ouviu o vereador Ralf Leite desacatar os policiais. ACOMPANHAMENTO Além de encaminhar o jovem para cursos profissionalizantes, realizado em parceria com entidades de Poconé, o promotor informou que vai solicitar à Secretaria de Estado de Educação para que estude a viabilidade da formação de uma comissão para tratar de casos de discriminação sexual. Na avaliação do promotor, que acompanha casos semelhantes na cidade, além do preconceito de familiares, amigos e vizinhos, o homossexual também sofre rejeição dentro da escola. Segundo ele, isso se torna o principal motivo para que o aluno deixe a caminhada escolar. Desde cedo, a criança, o jovem precisa se conscientizar de que ter um colega homossexual dentro da sala de aula não diminui a sexualidade de ninguém, defendeu. Além de preconceito de colegas em sala de aula, o menor também revelou ao promotor que teme um morador da cidade que, sempre que o vê, parte para agressão física. Ele contou que sempre que esse cidadão o vê o agride e chega a lhe sair sangue, contou. A reportagem do Diário esteve em Poconé. Mas, por insegurança do menor e da sua família, eles preferiram não se pronunciar.