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Sexta-feira, 03 de Dezembro de 2010, 20h:32

OPERAÇÃO ATLÂNTIDA

Polícia Federal indicia 33 investigados

Inquérito foi concluído e encaminhado para a Justiça Federal. Empresários e servidores públicos são acusados de desvio de recursos públicos

A Polícia Federal (PF) indiciou ontem 33 pessoas investigadas pela operação Atlântida. Elas são acusadas no inquérito policial encaminhado à Justiça Federal de crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, fraude em licitação, falsidade ideológica e advocacia administrativa. O suposto esquema de fraudes em licitações e desvio de verbas públicas federais pode ter causado um prejuízo superior a R$ 38 milhões aos cofres públicos. A operação Atlântida foi desencadeada no dia 19 de novembro passado numa ação conjunta da Polícia Federal com a Controladoria Geral da União (CGU). Vinte e seis pessoas foram presas e liberadas cinco dias depois. Segundo a PF, foram indiciados no inquérito 15 empresários, dois engenheiros, 11 servidores públicos municipais e quatro funcionários da Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra) e um servidor da Caixa Econômica Federal. O inquérito foi concluído 13 dias após a operação ser deflagrada. O indiciamento foi conforme a participação de cada um nos delitos praticados apontados pela Polícia Federal. Durante a operação foram cumpridos, além dos 26 mandados de prisão temporária, 35 mandados de busca e apreensão e nove mandados de condução coercitiva, expedidos pelo juiz-substituto da 3ª Vara Federal da seção judiciária em Mato Grosso, Fábio Henrique de Moraes Fiorenza. Os mandados foram cumpridos em Cuiabá, Barra do Garças, Pontal do Araguaia, Ribeirãozinho, Novo São Joaquim e Canarana. Uma pessoa foi presa no Paraná e outra, em Goiânia. Segundo a Polícia Federal, foram apreendidos durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão R$ 131.970,00, US$ 48.000,00, 21 veículos, além de documentos e equipamentos de informática. Todos os bens móveis e imóveis dos investigados continuam sequestrados em função da decisão da 3ª Vara Federal. O governo do Estado determinou o afastamento dos servidores citados na operação. De acordo com o superintendente da PF, Valmir Lemos de Oliveira, em entrevista concedida depois do cumprimento de todas a s prisões, os recursos desviados chegaram aos municípios através de emendas parlamentares e repasses dos ministérios da Saúde, Integração Nacional, Cidades, Desenvolvimento Social, Turismo, Esportes e Educação. “Todas as licitações eram fraudadas para favorecer empresa A ou B. O grupo tinha a conivência dos servidores públicos que já sabiam quem seria a empresa vencedora. Tudo era combinado e direcionado, inclusive, os valores”, ressaltou o delegado Éder Magalhães, no dia em que operação foi deflagrada. Conforme ele, as empresas ainda não cumpriam com o projeto aprovado pelo governo Federal. “Nem 30% do que estava previsto era executado e quando executado apresentava irregularidades graves”, disse.

Edição EDIÇÃO 16962




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