Primeira Página
Sábado, 05 de Junho de 2010, 12h:55
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ELEIÇÃO NA UNEMAT
Partidos influenciam a disputa
ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
A eleição para o novo reitor da Unemat acontece no dia 30 de junho e promete mobilizar não só a comunidade acadêmica, mas também correntes políticas de Mato Grosso, que apoiam candidatos. O atual reitor, Taisir Karin, tem o apoio político do deputado Pedro Henry (PP) e outros políticos do PP. Três chapas se inscreveram para a disputa. Os candidatos são os professores Elias Renato da Silva Januário, atual vice-reitor, Adriano Aparecido Silva e Edna Luzia de Almeida Sampaio. Diante da situação da instituição, com denúncias de irregularidades na atual gestão, a disputa promete ser uma das mais acirradas. O inusitado é que em razão dos escândalos que recaíram sob a Unemat nos últimos anos, ninguém quer ser ligado a gestão Taisir Karin. O atual vice-reitor declarou rompimento com a atual gestão e não tem apoio de reitor. Taisir é ligado ao professor Adriano Silva. A professora Edna Luzia, ligada ao Sindicato dos Docentes da instituição, concorre com o discurso de ser a única de oposição. A campanha promete muitas discussões em função das irregularidades cometidas na gestão de Taisir, alvo inclusive de uma CPI na Assembleia Legislativa. Ele esteve à frente da Universidade nos últimos oito anos. O mais rumoroso escândalo foi em relação ao concurso do governo do Estado, realizado pela Unemat. Houve problema de logística na distribuição das provas, com cadernos trocados em sala de aula no dia do exame; e o mais grave, suspeita de vazamento da prova. Por conta dos diversos problemas, a prova foi cancelada, tendo que ser remarcada. A Polícia Civil investiga o caso. A professora Edna reclama da falta de transparência da atual gestão e afirma que a qualidade do ensino tem sido preterida no lugar de acordos políticos. Há uma inversão de prioridades. Muitos dos professores são mestres e doutores e mesmo assim o desempenho educacional é baixo, disse a candidata. Não obstante, ela também tem apoio de grupos políticos, em especial do PT. Porém, ela faz questão de ressaltar que a eleição para a reitoria da Unemat não se trata de eleição partidária. Apesar disso, diz que todas as relações políticas são necessárias e importantes para a instituição, mas não devem ser sobrepostas. O diálogo com correntes políticas são importantes, temos apoio de integrantes do PT, PPS, PSB, mas não vamos colocar isso na frente das questões da Universidade. Hoje os problemas da Unemat estão sendo discutidos fora dela, não dentro, junto da sua comunidade, disse a professora Edna. No estilo neutro, não se classificando nem situação e nem oposição, o professor Adriano também defende a interlocução com partidos políticos. Precisamos colocar a Unemat em papel de destaque no Estado. A própria instituição precisa fazer uma mea culpa nisso, pois deveria se apresentar mais e se oferecer mais para ajudar no processo de crescimento do Estado, disse o professor. Já o vice-reitor, num discurso mais radical, afirma que o principal problema da Unemat é justamente a ligação política. A Unemat tornou-se um feudo comandado por um único coronel, o reitor. Universidade é espaço de diálogo, por isso não tenho apoio político. Se eleito, vou buscar apoio com os 24 deputados da Assembleia, não vou transformar a Unemat num feudo comandado por um partido, disse Elias Januário.