Primeira Página
Sábado, 25 de Julho de 2009, 13h:52
A
A
ENTREVISTA
Para Wellington, aliança é possível
Em entrevista concedida na mesma semana em que senador do DEM teceu duras críticas ao PR, cotado à presidência argumenta que arco é viável
SONIA FIORI
Da Reportagem
Deputado federal de quinto mandato, Wellington Fagundes (PR) reforça sua meta de chegar ao Senado, num projeto macro onde deixa clara sua estratégia de aglutinar forças políticas para eleger o vice-governador Silval Barbosa (PMDB) ao governo do Estado em 2010. Ex-presidente do PL, sigla que se fundiu ao Prona para dar lugar ao Partido da República no final de 2006, ele poderá ser confirmado, nesta segunda-feira, como o novo comandante dos republicanos de Mato Grosso. Ao analisar as intempéries internas da legenda, Wellington é enfático ao destacar que roupa suja se lava em casa preferindo ressaltar que o alerta vale para todos. Tendo seu nome validado pela bancada do partido na Assembleia Legislativa para ser o sucessor do atual presidente, Moisés Sachetti (PR), ele ainda enfrenta resistências no partido. A seu favor está a simpatia do governador Blairo Maggi (PR) em tê-lo como novo dirigente, já expressa publicamente. Nesta entrevista, Wellington expõe um mapa de costuras políticas onde tenta encontrar espaço para partidos como o PP. Ele também fala da possibilidade de Maggi assumir a Agência Executora da Copa e ainda sobre os próximos passos a serem dados rumo às eleições de 2010. Diário: O senhor acredita que existe um olhar especial para Mato Grosso por parte do governo federal? O relacionamento do governador Blairo Maggi com o presidente Lula de fato traz para o Estado um tratamento especial? Wellington: Para um Estado em desenvolvimento como Mato Grosso, não estar alinhado com o governo federal é muito ruim. Nós já tivemos essa experiência no passado. Então, quando o governador Blairo Maggi decidiu apoiar o presidente Lula, foi até um tanto traumático, porque ele tinha um apoio muito forte do agronegócio, que via o presidente como um monstro. Aquilo foi difícil, mas nós, da classe política, inclusive de partidos adversários, incentivamos o Blairo, dizendo que era importante ele apoiar o Lula, já que a eleição do presidente era bem clara. Isso foi muito bom para Mato Grosso. Quantos avanços nós já não conseguimos? Temos como exemplo as estradas federais - e hoje temos inclusive o Luiz Antonio Pagot na diretoria geral do Dnit. O Blairo ter vindo para o PR também foi fundamental, porque o ministério é administrado pelo PR. A malha viária de Mato Grosso é de 4.100 quilômetros de estrada rodoviária federal asfaltada. Minas Gerais tem 11.600 quilômetros. Temos estradas construídas a mais de 20 ou 40 anos e além de recuperar a malha viária já estamos construindo e federalizando estradas estaduais. Diário: O senhor está confiante a respeito da reunião da executiva regional do PR, nesta segunda-feira, que poderá confirmar seu nome para a presidência do partido? Wellington: Perguntaram-me recentemente se existiam algumas resistências a meu nome. O primeiro sou eu, porque não me apóio. Eu apóio o nome do Blairo e tenho dito isso com insistência. Quando o Blairo assumiu a presidência, logo no início, era uma situação diferente porque eu entendia que ele não devia ser o presidente naquele momento, porque era eleição municipal, onde era preciso construir o partido, visitar município por município, trabalho que foi feito pelo Moisés Sachetti (atual presidente) e pelo Emanuel Pinheiro (secretário-geral). Se eles tivessem tido mais tempo, com certeza teria sido melhor para o partido. O Blairo, como governador, não tinha condições de desempenhar isso. Agora é diferente. Estamos tratando de uma eleição geral onde se precisa de um articulador com capacidade de decisão. E o Blairo Maggi é e será sempre a última palavra no PR porque é o governador do Estado. Então, acho que ele assumindo facilitaria os entendimentos, para que a gente possa formar a aliança necessária. O ideal seria formar aliança com todos os partidos que estão na base. Diário: O senhor fará esse apelo ao governador? Wellington: Na segunda-feira faremos esse apelo. Já disse para ele: Se ele for o presidente, aceito ser o secretário-geral. Inclusive tirei licença exatamente para estar trabalhando partidariamente nesses meses, porque sou o maior interessado, como pré-candidato na majoritária ao Senado. Tenho que trabalhar para formar essa aliança. O objetivo é fazer um projeto consistente. Queremos dar prosseguimento ao trabalho do Maggi, garantir a questão da Copa, mas também precisamos inovar. Então precisamos mostrar um projeto realmente de prosseguimento com inovação e é extremamente importante toda essa aliança para um projeto que será apresentado para a sociedade. Talvez pelo seu envolvimento com a Copa, Maggi possa não aceitar a presidência do PR e, se isso acontecer, vamos escolher o melhor caminho. E não necessariamente deve ser Blairo ou Wellington. Pode ser outro. Diário: Se o nome do senhor for confirmado, existe alguma ação especial já idealizada para o PR? O Pagot já expôs a opinião de que o partido deveria ter ações mais fortes no interior do Estado... Wellington: Acho que o PR tem cometido um erro e pedi que o Blairo decidisse isso logo. Às vezes têm pessoas que, ao invés de definir as coisas internamente, de lavar a roupa-suja dentro de casa, preferem ficar discutindo através da imprensa. Acho que isso não é um bom caminho para o partido. Todo o partido tem problemas, tem discórdias e isso faz parte da democracia, inclusive numa família. Acho que o grande avanço para o PR é conseguir trabalhar no sentido de buscar uma unidade representativa, mesmo que tenha discórdias. E a decisão, como na reunião de segunda-feira, será da maioria. Essa é a decisão correta porque nem sempre a unanimidade é correta. Às vezes a unanimidade é até burra. Então, o grande desafio do PR é buscar a unanimidade no sentido de linha programática, linha de pensamento, de condução daquilo que for decidido internamente. Além disso, também definir os candidatos. Diário: Quando o senhor coloca esse alerta de que questões divergentes devem ser tratadas internamente, o senhor está se referindo a quem? Ao Moisés Sachetti, ao Pagot ou a ambos? Wellington: A todos nós. E nessa reunião desta segunda-feira é importante discutirmos vários pontos. É importante lembrar que de uma ação vem uma reação e às vezes a pessoa cita uma questão e você, como jornalista, vem me perguntar, porque já ficou público. As reuniões são importantes. Por exemplo, tive uma reunião recentemente com o Emanuel Pinheiro e depois com o Moisés Sachetti, articulada pelo vereador Francisco Vuolo. Foi excelente porque muitas coisas que a gente não tem tempo de conversar pessoalmente foram esclarecidas. Diário: O senhor acredita que em 2010 não é o momento para o PR lançar candidato ao governo? Wellington: Olha, nós tivemos a solidariedade do PMDB lançando o vice, o Silval, e o próprio Blairo tem dito de forma muita clara que o Silval foi um vice discreto e leal. Todas as missões dadas a ele foram cumpridas sem ultrapassar seus limites. E se o PMDB teve essa reciprocidade com o PR e o Silval enquanto vice-governador teve essa lealdade, é natural que o PT também possa fazer a reciprocidade agora. Temos outros partidos que fazem parte dessa base, como por exemplo, o DEM, com o senador Jayme Campos, só que quem é vice é o Silval. Ele está mais próximo por isso e é mais natural a candidatura do Silval, mesmo querendo o DEM com o Jayme, mesmo querendo manter o PP com o Riva, que são lideranças hoje incontestáveis. O presidente da Assembleia Legislativa, deputado Riva, é hoje a liderança de maior penetração, de maior articulação no Estado de Mato Grosso. Uma pessoa que tem principalmente no interior uma força muito grande. Então, é importante ter o PP, que tem também o secretário-executivo do Ministério das Cidades, Rodrigo Figueiredo, tem dois deputados federais, Pedro e Eliene, tem vários deputados estaduais. É um partido muito importante, assim como o DEM também é. Diário: O senhor não acha difícil conseguir apoio do DEM? Wellington: Acho que Jayme, Riva e o Silval vão ter que ter muita maturidade para que definam quem realmente vai ser o candidato. O PR não está sendo o problema. Nós estamos sendo a solução, porque ao invés de impor um candidato, o que seria natural, estamos praticamente abrindo mão disso para indicar o candidato a Senador. Isso para facilitar essa aliança. Diário: Mas uma das cobranças feitas pelo senador Jayme Campos é a de que a sigla está cansada de carregar o piano, ou seja, ele entende que o DEM também tem o direito de liderar a majoritária... Wellington: É verdade. O DEM apoiou e foi apoiado. Na representação maior do Estado, o PR tem o governador, o PMDB tem o vice-governador, o DEM tem dois senadores, que lhe dá muita força enquanto partido. O PT tem um senador. Então, se conseguíssemos manter isso, daria perfeitamente. O PR abre mão do governo e fica com um senador, o PT fica com outro senador, o PMDB ganha um governador e o DEM fica no mínimo com um senador. E essa composição pode abrir espaço para partidos como o PP e outras legendas, porque ainda teríamos o espaço de vice-governador e três vagas para suplentes. Dá para abrigar todos os partidos dessa base. Diário: Mas nessa composição o que sobraria para o DEM? Wellington: Para o DEM? Um senador que foi eleito com o Blairo, que é o Jayme. Da mesma forma que o DEM apoiou o Blairo, o governador também apoiou o DEM, indicando o senador Jayme Campos e ainda o Jonas Pinheiro na época. Reciprocidade sempre existiu e o DEM sempre esteve muito bem. O DEM teve dois senadores e continua tendo hoje. É preciso abrir espaço também para outros partidos como o PP, que cresceu muito no Estado. Diário: Quais os caminhos que o governador Blairo Maggi pode seguir a partir de agora? Wellington: Ele disse reiteradas vezes que não é candidato. Fizemos uma pesquisa em sete cidades do Estado, onde 92% da população afirma que a Copa do Mundo só veio para Mato Grosso pela articulação do Blairo Maggi. E 94% da população entende que o Blairo deve ser o presidente da Agência da Copa, que deve ser criada. Essa mesma porcentagem acha que administrar a Copa do Mundo é mais forte do que o governo do Estado. Isso demonstra também que a população quer também o futuro governador aliado de quem irá dirigir a Copa, e por isso acredito muito, inclusive, na transferência do voto de forma direta do Blairo para o Silval, porque o governo hoje é Blairo e Silval. Diário: Há alguma possibilidade de o senhor voltar atrás no projeto ao Senado e ir para mais uma disputa à reeleição, num sexto mandato como deputado federal? Wellington: Reclamei isso ao site que colocou uma notícia de que houve uma reunião no hotel Taiamã, recentemente, para tratar desse assunto. Liguei para o site e disse: Olha, tenho como provar que essa reunião não existiu, porque no hotel tem gravação, circuito fechado. O dono do site inclusive me pediu desculpas, mas disse que foram duas fontes do PR que passaram a informação, a meu ver, confiáveis. Se ocorreu isso, as pessoas estavam mal informadas ou mal intencionadas. Porque não existiu essa reunião e estou trabalhando naquilo que o meu partido decidiu. O futuro a Deus pertence, mas cabe também à gente fazer a nossa parte. Se o partido decidiu que cabe a mim trabalhar para isso, para consolidar o projeto do meu partido, é isso que farei, porque também é o meu projeto. Lembrando que a respeito da Copa, estou me dedicando bastante na questão da Infraero, o projeto do aeroporto de Várzea Grande. Inclusive, esse trabalho foi começado pelo deputado Ricarte, que é a construção de uma nova pista, a construção de um novo terminal além de outros projetos importantes para o Mundial.