Primeira Página
Sábado, 22 de Julho de 2006, 14h:31
A
A
IDEOLOGIAS
Pai e filho seguem partidos opostos
MARCIA RAQUEL
Da Reportagem
Pai e filho com vocações políticas, porém, seguindo linhas opostas. Esta é a situação de Hélio Antunes Brandão Filho e Hélio Antunes Brandão Neto. O primeiro, o pai, é ligado umbilicalmente a partidos de direita, como o PFL, maior representante da classe produtora no Brasil, e o PP, ao qual está filiado atualmente. O segundo, o filho, decidiu entrar na política pelo outro lado: é um dos fundadores do PSOL em Mato Grosso, partido considerado de extrema esquerda. Hélio Brandão Filho já foi prefeito de Jangada e presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM). Ligado politicamente ao ex-governador Jaime Campos (PFL), nestas eleições ele assumiu a coordenação do interior da campanha majoritária da coligação Mato Grosso Unido e Justo, que tem como candidato à reeleição o governador Blairo Maggi (PPS) e Jaime Campos ao Senado. Já o filho, Hélio Brandão Neto, decidiu disputar uma vaga na Câmara Federal pelo PSOL, partido fundado em 2004 pelos radicais expulsos do PT por não concordar com as ações do governo Lula, entre elas a reforma da Previdência. Este será o primeiro pleito de Brandão Neto. A tentativa de construir o partido e um caminho diferente surgiu a partir do momento em que recebemos a traição do governo Lula, ressaltou. Apesar das divergências políticas, os dois garantem que o relacionamento entre pai e filho é dos melhores possíveis. O meu posicionamento político é independente do meu pai, disse Hélio Neto. Eu o respeito e ele respeita as minhas convicções. Temos outras parcerias, as nossas divergências são no futebol e na política, acrescentou Hélio Filho. O candidato afirmou que não espera apoio do seu pai para a sua empreitada política e que tenta construir o seu caminho a duras penas, sem a menor possibilidade de apoio de forças da direita. Eu acredito que possa ser constrangedor para ele, não espero o voto dele porque sei que ele tem compromisso com o seu grupo político, considerou. Porém, para o pai, quando o assunto é apoiar a iniciativa do filho, embora não concorde com a linha que ele segue, a avaliação deixa de lado as convicções políticas. Eu, como pai, vou votar nele. Mas não posso fazer muita coisa além disso. Eu não conseguiria chegar na minha sessão e não votar nele, revelou o ex-prefeito. Segundo o ex-gestor, a candidatura do seu filho por um partido de oposição não tem lhe causado constrangimento, pelo menos por enquanto. Eu confesso que sinto orgulho dele, ele tem o meu respeito, disse. Eu desejo toda a sorte do mundo para ele, mas eu vou seguindo a minha vida de acordo com os meus ideais, acrescentou. Hélio Brandão Filho contou que, ao contrário das famílias tradicionais, comuns na política mato-grossense, em que os filhos seguem os mesmos passos dos pais, na família Brandão a divergência é comum. Essa situação pode causar um pouco de estranheza porque a gente espera que os filhos tenham o mesmo posicionamento, mas na nossa família não foi assim, eu também fui líder estudantil e meu pai tinha outra linha, contou.