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Sexta-feira, 15 de Maio de 2009, 20h:14

AUDITORIA

ONG pede a cassação de Lutero Ponce

Levantamento apontou um desvio de R$ 3 milhões na gestão do ex-presidente do Legislativo da Capital, Lutero Ponce, do ano passado

ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
A ONG Moral protocolou uma representação onde pede a cassação do ex-presidente da Câmara Municipal de Cuiabá, vereador Lutero Ponce (PMDB), por quebra de decoro parlamentar. O pedido foi solicitado, na tarde de ontem, no gabinete da presidência da Casa, dois dias depois da apresentação do resultado final da auditoria interna independente contratada pelo atual gestor do Legislativo cuiabano, vereador Deucimar Silva (PP). O resultado da auditoria concluiu que houve desvio superior a R$ 3 milhões dos cofres da Câmara. Entre as irregularidades apontadas, está a aquisição de R$ 100 mil em copos descartáveis durante o ano de 2008. Além disso, outras irregularidades em licitações e até empresas fantasmas foram apontados pela empresa responsável pelos levantamentos. A justificativa do pedido da entidade é que a denúncia não se coadune com o decoro parlamentar e que representa um retrocesso no processo de lisura da administração pública. A representação foi assinada pelo diretor da ONG Moral, jornalista Ademar Adams. A representação feita por uma entidade organizada já era esperada por alguns vereadores. A invocação da perda de mandato do peemedebista poderia ser feita por um parlamentar. Mas, isso não aconteceu sob o pretexto de que o autor do pedido não poderia votar pela cassação, se houve processo disciplinar levado a plenário. No entanto, alguns vereadores admitiram que, caso nenhuma entidade ou movimento de manifestasse, protocolariam o pedido de cassação do ex-gestor. Os vereadores Toninho de Souza (PDT), Éverton Pop (PP) e Deucimar Silva (PP) foram alguns dos que afirmaram que fariam o pedido. Ontem, Deucimar afirmou que, depois da representação protocolada, a Câmara irá cumprir o regimento interno e a lei orgânica. Segundo ele, a legislação prevê que na próxima sessão ordinária seja invocada uma comissão processante formada por três vereadores. A formação da comissão deve acontecer por meio de sorteio. A participação do parlamentar na comissão não é obrigatória. A partir daí, o vereador Lutero, na condição de processado, tem 10 dias para apresentar sua defesa e contestar o resultado. Durante a sessão de anteontem, o peemedebista garantiu que não desviou R$ 3 milhões dos cofres do Legislativo. Ele afirmou que analisaria o relatório final e que aguardava a entrega de toda a documentação que fundamentou a auditoria, pela presidência. Na manhã de ontem, Deucimar afirmou que todos os documentos já foram entregues a Lutero. O ex-presidente também já anunciou que falará à imprensa na próxima segunda-feira. O suposto rombo foi relacionado à gestão de 2008 de Lutero, que presidiu a Câmara desde o ano anterior.

Edição EDIÇÃO 16967




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