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Sábado, 05 de Março de 2011, 12h:12

DENÚNCIAS

Murilo responde a 4 inquéritos criminais

As principais investigações contra prefeito afastado de Várzea Grande apontam para suposto favorecimento de uma empresa familiar

FERNANDO DUARTE
Da Reportagem
Quatro inquéritos criminais estão em andamento contra o prefeito afastado de Várzea Grande, Murilo Domingos (PR). Os procedimentos foram instaurados pela Delegacia Fazendária por suposta fraude em licitação e peculato (apropriação indevida). Domingos também possui uma denúncia criminal apresentada pela Procuradoria Geral do Estado. A denúncia é em relação ao primeiro mandato. As investigações e acusações contra o prefeito iniciam com um forte esquema de favorecimento da empresa familiar “Casa Domingos”. Em documentos entregues à Procuradoria Geral em setembro de 2005, a que o Diário teve acesso, foi relatado que Murilo e o irmão Antônio Domingos, ex-secretário de Fazenda de Várzea Grande, registravam os produtos comercializados com a prefeitura por meio de empresas-fantasmas. A principal empresa que participou dessas supostas negociações foi a João Só Comercial e Distribuidora Ltda.-ME. Ela tinha o endereço no bairro Coophamil, em Cuiabá, e possuía como proprietários Antônio Esperança Neto e Sirlene Fagundes de Freitas. A João Só, em julho de 2005, tinha um patrimônio registrado na Junta Comercial do Estado de Mato Grosso (Jucemat) no valor de R$ 7,1 mil. Apesar disso, tinha um poder de comércio atacadista e varejista formado por uma grande quantidade de produtos dos mais diversos segmentos. Ela comercializava álcool etílico, sabão em barra, cera líquida, açúcar, coador, detergente, rodo, balde, vassoura, café, purificador de ar, saco de lixo, chá mate, copo plástico, esponja, pilhas e água sanitária. Além de produtos considerados mais específicos como 48 carrinhos de limpeza (R$ 20,3 mil). Neste caso, 24 carrinhos foram comprados no valor unitário de R$ 398 no dia 9 de fevereiro de 2005 e, dois dias depois, outros 24 foram adquiridos por R$ 450 cada. Essa empresa, também em 2005, foi a responsável pelo fornecimento da merenda escolar para a Secretaria Municipal de Educação. As notas fiscais apresentadas na comercialização chegaram ao valor total de R$ 72,1 mil. Foram vendidos, nessa ocasião, arroz, biscoito, sabonete, detergente, chícara (escrita com “ch” e não “x”) com pires, água mineral e óleo de soja, entre outros. Ao todo são cinco notas, todas do dia 18 de abril de 2005. Toda essa situação afeta Várzea Grande, enquanto setores básicos da administração não são atendidos. Nessa situação incluem as várias vias sem pavimentação, ausência de saneamento básico, pronto-socorro interditado, greve dos médicos, etc. O advogado do prefeito licenciado, Paulo Taques, foi procurado pela reportagem, mas não foi localizado. Mensagem na caixa eletrônica também foi colocada, mas, mesmo assim, ele não retornou. Afastado pela Câmara, Murilo perdeu na sexta-feira o primeiro recurso para retornar ao cargo.

Edição EDIÇÃO 16962




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