Policiais civis cumpriram ontem sete mandados de busca e apreensão, que foram executados também na cada de um parlamentar
JULIANA SCARDUAA
Da Reportagem
A Polícia Civil cumpriu ontem sete mandados de busca e apreensão em Barra do Bugres (168 km de Cuiabá), três deles na Câmara Municipal. Também foram apreendidos documentos na casa do vereador Orlando Cardoso e de funcionários do Legislativo local. O ex-presidente da Câmara é suspeito de liderar esquema de desvio de dinheiro público dos cofres do município. De acordo com informações da Delegacia Fazendária, foram apreendidos 18 malotes de documentos diversos da Câmara e três computadores. Policiais vasculharam e recolheram documentos no gabinete do vereador, na sala e na casa da servidora Queli Cristina de Oliveira. Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos nas residências do funcionário do Legislativo Ornelino Batista da Silva e de Arnaldo Procópio de Melo, amigo do vereador. A delegada fazendária Lusia Machado relata que as denúncias contra o vereador partiram de uma verdadeira coincidência. O investigado inicialmente pela Polícia Civil trata-se de Arnaldo de Melo, suspeito pelo crime de tráfico de drogas na região. Contudo, após escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, constatou-se que Melo portava um celular do gabinete do vereador e que ambos tinham trocado os aparelhos. No andamento das apurações, policiais interceptaram no celular de Arnaldo, um diálogo em que Orlando Cardoso ordenava à contadora da Câmara que desviasse documentos do Legislativo. Segundo a delegada, notas fiscais e documentos relativos a licitações da Câmara foram inclusive apreendidos na casa de Queli Cristina. Em outra conversa telefônica, conforme as informações da polícia, Cardoso cita a existência de uma fita em que pessoas da cidade e funcionários da Câmara são alvo de chantagem por parte do vereador. Ainda em outro diálogo, de acordo com a Delegacia Fazendária, Cardoso pede a intervenção do prefeito Aniceto Miranda para conseguir um atestado médico. O parecer seria usado como lastro para que o vereador faltasse a uma audiência convocada pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) já instituída a Câmara local. Arquivos da Câmara incluem três atestados médicos apresentados pelo vereador. O prefeito declara que nunca recebeu tal pedido de Orlando e que espera que as denúncias sejam esclarecidas. Não estou a par das denúncias em profundidade e apenas sei dos rumores. Espero que tudo seja conduzido da melhor maneira possível e esclarecido, atesta o prefeito. Aproximadamente 20 policiais civis e quatro delegados da Delegacia Fazendária e Polícia Civil participaram da operação. Segundo a TV Centro América, Orlando negou as acusações e disse que foi pego de surpresa com a operação.