Primeira Página
Segunda-feira, 06 de Abril de 2015, 21h:40
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PULANDO FORA
Maggi sinaliza rompimento com Dilma
Com um discurso contundente o senador mato-grossense disse que o governo está paralisando o país; Maggi deve anunciar rompimento em plenário
RAFAEL COSTA
Da Reportagem
Considerado nos últimos anos como um dos principais aliados do Palácio do Planalto, o senador Blairo Maggi (PR) deu sinais de rompimento com a presidente Dilma Rousseff (PT). Em entrevista divulgada no jornal O Estado de S. Paulo, Maggi classificou a gestão do governo federal como um paquiderme, um elefante que não se mexe. Na linha crítica de discurso, ainda ressaltou que não se aliaria novamente a um candidato do PT à Presidência da República. Acho que hoje não manteria meu voto na Dilma. Acho que prefiro uma alternativa diferente, nova, disse. Maggi ainda acredita que o desgaste do PT vai ter influência nas eleições municipais de 2016, quando a população irá às urnas para eleger prefeitos e vereadores. Todos os candidatos que usarem o número 13 para disputar as eleições municipais serão derrotados. A insatisfação é muito grande. Em sua avaliação, o cenário econômico do Brasil é preocupante e é consequência da crise política enfrentada pela presidente Dilma Rousseff (PT) nos últimos meses. Maggi crê que o cenário é de dificuldades e haverá aumento da taxa de desemprego em decorrência da recessão econômica que começa a emitir seus sinais com o pífio crescimento da indústria e a perspectiva de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de apenas 0,1%. Não existe possibilidade de você debelar uma crise sem resolver a outra. Vão ter que resolver as duas partes juntas. Na parte econômica, todo mundo sabe como é que ela está. O Brasil está indo ladeira abaixo. Parece que Brasília ainda não percebeu o tamanho da recessão que vem por aí. É muito grande o número de pessoas que ficará sem emprego, ressaltou. Para retomar a capacidade de investimentos, Maggi defendeu que o governo federal faça uma reforma administrativa pautada pela redução de ministérios, o que levaria ao enxugamento da máquina pública. Temos 39 ministérios. É muito. Tem 14 deles que são secretarias. As pessoas só têm o status de ministro. Aí falam: ah, mas aí você vai economizar pouca coisa. Não é questão de quanto você economiza. É uma questão de mudança de postura. É o gesto. Temos aí milhares de comissionados no país. Corta 20 mil, corta 30 mil. Tenho certeza que o Brasil vai ainda melhor. A aproximação de Blairo Maggi com o PT começou no segundo turno da eleição presidencial de 2006. Naquele ano, o republicano, na época filiado ao PPS, apoiou Geraldo Alckmin (PSDB) no primeiro turno. Porém, mudou de lado logo em seguida com a promessa de conseguir investimentos estratégicos para Mato Grosso. Naquela ocasião, o PT enxergou em Maggi o aliado perfeito para superar a má relação que mantinha com o agronegócio, o que culminou até mesmo numa revolta do setor com o Grito do Ipiranga. No primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, Maggi foi cotado para ser ministro dos Transportes. Embora tenha rejeitado a proposta, foi um dos principais articuladores para a indicação do mato-grossense Neri Geller para o Ministério da Agricultura. Nos bastidores, se comenta que o descontentamento com o governo federal se deve à falta de empenho para viabilizar projetos para Mato Grosso, simbolizada atualmente pelo atraso no repasse do FEX (Fundo de Exportação) na ordem de R$ 400 milhões.