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Quinta-feira, 28 de Abril de 2016, 19h:59

DECISÃO II

Justiça suspeita de a que família mantém contas em paraísos fiscais

Em um dos trechos da decisão que autorizou o mandado de prisão preventiva contra o médico e empresário Rodrigo Barbosa, filho do ex-governador Silval Barbosa (PMDB), a juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, levanta a suspeita de que a família Barbosa mantém dinheiro abrigado em paraísos fiscais, supostamente de esquemas de corrupção. A magistrada determinou o confisco do passaporte de Rodrigo Barbosa. A mesma medida já havia sido tomada em relação ao ex-governador Silval Barbosa. “A proibição de ausentar-se do país visa possibilitar o trâmite processual rápido e eficiente, bem como almeja evitar que o representado recorra aos países em que se suspeita que tenha ocultado o proveito dos crimes”, diz a decisão assinada no dia 18 deste mês que decretou a prisão preventiva na quarta fase da “operação Sodoma”. O passaporte do ex-governador também já foi confiscado pela magistrada. Silval está preso desde o dia 17 de setembro, quando foi deflagrada a 1ª fase da "operação Sodoma". A magistrada ressaltou que a “operação Ararath”, da Polícia Federal, apura crimes contra o sistema financeiro cometidos pela suposta organização criminosa comandada pelo ex-governador. Um dos destinos dos recursos, segundo as investigações da Polícia Federal, seria o Panamá. Com evidências de que o dinheiro público pode ter sido “lavado” fora do Brasil, a juíza da 7ª Vara Criminal entende que existe risco de fuga dos denunciados na “operação Sodoma”. Por conta disso, ela explica que a prisão preventiva é a única forma de garantir o transcorrer do processo, mesmo que os acusados tenham predicados favoráveis, como ser réus primários, tenham endereço fixo e função remunerada. "É de se observar que as notícias veiculadas sobre a operação deflagrada pela Polícia Federal denominada Ararath dão conta de que alguns desses envolvidos desviaram ativos para o exterior, o que é um indicativo de que podem tentar foragir a qualquer momento, se soltos”, argumenta. Conforme a magistrada, mesmo sem um cargo efetivo no Poder Executivo, Rodrigo Barbosa era um importante membro da cúpula da organização criminosa, liderada pelo seu pai. Na condição de filho do ex-governador, segundo Selma Arruda, o médico era o responsável por arrecadar o dinheiro de empresários que mantinham contrato de prestação de serviços com o Estado. “O investigado Rodrigo é um importante membro da cúpula da organização, eis que, na qualidade de filho do 'chefe', era quem se incumbia de arrecadar os milhões desviados”, afirmou a magistrada. “Ao que tudo indica na representação, o indiciado Rodrigo agia na sombra, nos bastidores do poder, não apenas para manter-se blindado, como também para blindar e proteger seu pai/chefe, Silval da Cunha Barbosa”, completou. (RC)

Edição EDIÇÃO 16967




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