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Primeira Página
Quarta-feira, 03 de Julho de 2013, 21h:16

IMPROBIDADE

Justiça acata denúncia contra Maggi

Senador e outras quatro pessoas responderão por fraude na contratação da empresa Home Care Medical. Desembargador Marcos Machado foi inocentado

KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
Apesar de estar fora do comando do Executivo Estadual há pouco mais de três anos, o senador Blairo Maggi (PR) é alvo de uma ação judicial por conta do período em que foi o chefe do Palácio Paiaguás. O juiz da Primeira Vara Federal de Mato Grosso, Julier Sebastião da Silva, acatou uma denúncia de improbidade administrativa movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o republicano. Além de Maggi, os servidores públicos Ana Claudia Aparecida Lisboa, Jackson Fernando de Oliveira, José Alberto Lopes Cavichioli, Renato Pereira Junior e a empresa Home Care Medical Ltda também são citados na acusação e responderão pelo ato em juízo. Eles são acusados de supostamente fraudar o processo de contratação da referida empresa. A mesma denúncia ainda foi proposta pelo MPE contra o desembargador do Tribunal de Justiça Marcos Henrique Machado. À época da suposta irregularidade ele respondia pela secretaria de Saúde do Estado. A acusação contra ele, no entanto, foi rejeitada por Julier. O juiz acolheu a fundamentação da defesa do desembargador, realizada pelos advogados Saulo Gahyva e Natalie Garcia. Eles alegaram ausência do ato de improbidade administrativa, uma vez que a prorrogação o contrato supostamente fraudulento foi a medida menos prejudicial à sociedade. A Home Care foi contratada no ano de 2003 para prestar serviço nos setores de Suprimentos de Almoxarifado e Farmácia da Secretaria Estadual de Saúde. A denúncia indica a existência de possíveis irregularidades na contratação da empresa, fato que se deu mediante o processo de dispensa de licitação n.º025/2003, que posteriormente ainda sofreu prorrogação. Entre as principais ilicitudes apontadas pelo MPE estão o sobrepreço dos medicamentos fornecidos pela empresa, notas fiscais sem carimbo de fiscalização da vigilância sanitária, inexistência de justificativa para dispensar o procedimento licitatório, entre outros. O sobrepreço, inclusive, também foi identificado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). Conforme a Corte de Contas, houve aumento de 32,74% nos valores de produtos e serviços fornecidos pela Home Care Medical Ltda. ao Estado entre os meses de outubro de 2003 e 2004. Em valores atualizados, esta porcentagem equivale a quase R$ 10 milhões. Diante da decisão da Justiça Federal de acatar a denúncia, todas as partes envolvidas já foram notificadas para apresentarem suas alegações de defesa. Em outubro de 2011, a Justiça Federal já havia determinado a quebra do sigilo fiscal e o bloqueio de R$ 9,8 milhões nos bens do senador e de outras sete pessoas denunciadas pelas mesmas supostas irregularidades. O Tribunal Regional Federal, entretanto, derrubou a liminar.

Edição EDIÇÃO 16966




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