Primeira Página
Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007, 19h:09
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VOTO PELA CPMF
Jonas e Jayme enfrentam pressão
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
O Palácio do Planalto dá como líquidos e certos os votos dos senadores democratas Jayme Campos e Jonas Pinheiro à prorrogação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a CPMF. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, teria conversado ao telefone ao menos quatro vezes com o governador Blairo Maggi (PR) no decorrer da semana, que lhe assegurou a votação favorável pelos senadores. Os contatos com o chefe de Estado estão no emaranhados de articulações na empreitada do governo federal em arrebanhar votos suficientes para assegurar o imposto do cheque nos cofres da União. A projeção é que a votação no plenário do Senado só ocorra a partir do dia 14 próximo. Com o apoio dos senadores mato-grossenses, o Planalto estaria a um passo da almejada tranqüilidade em votos para encarar o embate no painel eletrônico do Congresso. Informações divulgadas ontem no blog do jornalista Josias de Souza apontavam que o ministro José Múcio viaja hoje rumo a Mato Grosso para conversar pessoalmente com o senador Jayme Campos, que ainda estaria reticente quanto ao apoio ao governo federal. O Democratas optou pelo voto fechado sobre a questão. Apesar disso, o senador Jonas Pinheiro estaria mais maleável aos clamores de Lula. Jonas negou os rumores do voto favorável ao governo em entrevista esta semana. Assessores do gabinete do ministro negam a viagem a Mato Grosso. O roteiro ao menos não consta na agenda oficial de Múcio. Porém, ele dedicará todo o sábado a compromissos pessoais, o que reforça as suspeitas da viagens na surdina ao Estado, longe dos holofotes da imprensa. Ontem, ele se encontrava em eventos em São Paulo. O mesmo Estado será o destino do membro do staff federal, em evento sobre o lançamento da TV Digital. Nos últimos dias, interlocutores de Lula se esforçam no corpo-a-corpo junto às bancadas do Congresso com a proximidade do fim do ano legislativo. Entre os escudeiros de Lula está o próprio Maggi, aliado fiel desde o apoio a Lula no segundo turno das eleições. A exemplo de placares dúbios em matérias como a cassação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), a tese é de que o Planalto consiga cooptar nos bastidores os votos de senadores de partidos que sustentam o discurso oficial pela rejeição da CPMF. A lista dos cobiçados votos incluem, além do DEM, o rival PSDB, o PDT e senadores de partidos aliados como o PMDB que relutam na chancela à matéria altamente impopular. No caso do DEM, a tentativa de demover líderes da legenda do voto contrário se dá num momento delicado: em evento público esta semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou críticas ácidas contra o ex-PFL. Em meio a um evento público, o chefe de Estado declarou que os únicos realmente contra a CPMF são o PFL, que não tem nada a perder e não tem perspectiva de futuro; e alguns sonegadores. Ao acirrar as farpas, Lula ainda opinou que os neo-Democratas torce todos os dias para as coisas não darem certo nesse país. Jayme desde o início tem reiterado seu voto contra a CPMF. Sempre afirmou que vota com a decisão partidária. Jonas chegou a condicionar o voto à renegociação da divída de Mato Grosso, como não conseguiu, não abre mão de acompanha o seu partido. Antes de qualquer compromisso pelo voto favorável ao imposto, Jonas sempre observou a questão partidária.