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Domingo, 06 de Setembro de 2009, 01h:59
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ENTREVISTAS
JOÃO VICENTE MONTANO SCARAVELLI
Diário de Cuiabá - Quais são as três principais propostas de campanha do senhor? João Vicente Scaravelli - A OAB tem que ser voltada para o jovem advogado. Com esse foco, estamos propondo o projeto Meu Primeiro Escritório, com o objetivo de ajudá-lo a equipar seu escritório com móveis ou, quiçá, também permitir resolver a questão do aluguel ou até mesmo a compra de um imóvel. Outra questão é a da transparência na OAB. Não tenho a menor dificuldade quanto a isso porque minhas contas da Caixa de Assistência estão todas aprovadas e disponíveis na internet. A OAB, comigo, vai ter essa mesma sequência. Outra proposta envolve a questão da reeleição. Para mim, a reeleição não deve continuar. Essa discussão é nacional e acredito que se resolverá da melhor forma, porque não podemos mais permitir os problemas do continuísmo. Diário O senhor se intitula um candidato de situação, oposição ou independente? Scaravelli - O nome correto é independente. Criamos uma independência, que é política e administrativa. Sou presidente da Caixa de Assistência dos Advogados e graças a um trabalho feito com o Conselho Federal passou a existir a anuidade compartilhada, entre a seccional, Conselho Federal e as Caixas. Essa independência financeira me deu condições de ter uma independência administrativa. E mais: Desde o início do ano, quando colocamos o nosso nome, viemos abocanhando grupos de aliados. Essa mesma independência demonstro não só nas minhas palavras, mas também nos meus atos e na minha administração. Diário Que nota, com a respectiva avaliação qualitativa, o senhor daria à atual presidência da OAB, comandada por Francisco Faiad? Scaravelli - Prefiro não dar nota. Quem vai dar a nota serão os advogados, no dia 19 de novembro, dia da eleição. Todos os advogados, ou na sua grande maioria, conhecem quem é Scaravelli, conhecem o trabalho do Scaravelli nesses anos de presidência da Caixa de Assistência, junto ao conselho estadual e em nível nacional. Tenho visto em entrevistas na mídia a atual direção usando como grande cavalo de batalha o trabalho que vem sendo feito na Caixa, apontado como uma realização da OAB. Não digo que não é, mas que saibam respeitar quem o fez. Não posso permitir esse tipo de coisa. Diário Alguns apontam para uma suposta politização extrema nos bastidores da Ordem. Qual é a opinião do senhor a respeito? Scaravelli - Existem dois tipos de politização. Quem não milita no dia-a-dia da cidadania, nas discussões de nossa cidade e país? O advogado tem que ser, sim, politizado. O que sou totalmente contrário é ao uso da máquina, o uso daquela organização chamada OAB. Sou contra usar a OAB como trampolim político ou para o benefício de amigos. Discutir as propostas de um candidato a governador, a prefeito, tudo bem, mas não posso aceitar essa questão política que há hoje. E tanto há, que é esse um dos motivos que fizeram surgir nossa candidatura. Diário Um dos episódios que mais chamaram a atenção nos últimos dias envolveu justamente a OAB, com o afastamento de Faiad da presidência. Como o senhor encarou esse fato? Scaravelli - Quem afasta presidente de OAB é advogado, é o conselho. Não é ordem judicial, não é o Poder Judiciário. Não discuto o âmago dos motivos que levaram aquele magistrado a tomar aquela decisão judicial. O que discuto é que não será o Judiciário quem vai tocar essa questão, até porque a presidência da OAB é intocável, porque é uma instituição democrática, que pertence a nós, advogados. Se um dia nosso presidente tivesse que ser retirado, jamais seria por uma ordem judicial. Sou contra o ato praticado por aquele magistrado, porque entendo que foi uma interferência antidemocrática, injusta e ilegal. Diário Nesse mesmo episódio, Faiad lançou duras críticas à atuação de Julier, incluindo a acusação de uma suposta perseguição pessoal. O senhor concorda? Scaravelli - Acredito que é uma discussão de dois homens, que pertencem a duas instituições e que infelizmente têm levado para o campo político-partidário. Ali não é discussão de magistrado e de presidente da OAB. Só que a OAB é intocável! Se houve alguma coisa, o mérito vai ser apurado. A discussão entre eles é praticamente pessoal ou tem outro fundo. Independentemente, a OAB não pode ser atingida. Diário O senhor é a favor ou contra o voto direto para o Quinto Constitucional? Scaravelli - Sou favorável ao Quinto Constitucional, só que gostaria de ampliar essa resposta. Já recebemos uma terceira, até uma quarta diferente proposta de como trabalhar o Quinto Constitucional, com o uso de sistema misto, por exemplo. Gostaria de levar isso, de uma forma bastante democrática, para que minha classe decida pelo melhor caminho. Ou seja, que não só o conselho decida. No Pará, por exemplo, houve o voto direto, mas lá isso pode ter resolvido o problema e aqui pode ser que não resolva. Temos que passar por essa discussão. Diário Em 2009, o noticiário policial está repleto de escândalos envolvendo advogados acusados de serem autores de crimes. Para o senhor, a classe está assolada por uma crise de imagem ou mesmo de valores dentro de uma parcela de advogados? Scaravelli - Confio na OAB, piamente. Confio no Tribunal de Ética e Disciplina, órgão que está lá para fazer o julgamento do advogado que teve algum desvio de conduta. Se isso levará a uma discussão judicial, é outra situação. Nos últimos anos, uma coisa que insuflei e ajudei a crescer foi o Tribunal de Ética. É preciso separar o joio do trigo. Não está fácil advogar. A concorrência está muito grande, mas não é a parte financeira que vai fazer com que a minha dignidade e a minha ética se corrompam por uma simples situação. Mas para todo aquele que não respeitar a ética, a dignidade, o estatuto da Ordem, a mão de ferro do Tribunal de Ética será acionada. Não serão pares negativos que virão a manchar o nome da OAB.