Primeira Página
Sexta-feira, 28 de Maio de 2010, 21h:43
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OPERAÇÃO JURUPARI
Janete chama Julier à disputa política
Presa pela Polícia Federal, Janete Riva contou que prestou depoimento por cerca de 20 minutos no dia da prisão
JEAN CAMPOS
Da Reportagem
A esposa do presidente da Assembleia Legislativa, José Riva, Janete Riva, classificou ontem como armação política os 91 mandados de prisão preventiva expedidos durante a operação Jurupari pelo juiz Julier Sebastião da Silva, titular da 1ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso. Ela foi uma das 64 presas durante a operação, deflagrada no dia 21 passado. Houve má-fé por parte do juiz. Usando o poder da caneta, ele faz um jogo que não está claro para a sociedade, afirmou Janete que, em seguida, lançou um desafio. O Riva está indo para o quinto mandato. Faço um convite ao juiz para que tire sua toga e venha para o embate político, enfatizou. Após seis dias presa, ela e outros 90 acusados de crimes ambientais tiveram a prisão revogada, na quarta-feira passada, pelo desembargador do Tribunal Regional Federal (TRF), Tourinho Neto, que ainda determinou ao juiz que se manifeste sobre denúncias encaminhadas por advogados sobre seu envolvimento político. As declarações de Janete foram dadas durante entrevista coletiva da qual iniciou falando de sua prisão. Após ser abordada às 6h por cinco policiais federais em sua residência, ela contou que foi encaminhada à sede da PF para prestar depoimento que teria durado menos de 20 minutos. O delegado me fez cinco perguntas e deixou claro que não havia nenhuma gravação com meu nome e que a prisão foi um pedido do Ministério Público. Até hoje não sei o motivo da minha prisão preventiva, questionou. Janete Riva frisou que não estava contestando a legalidade da operação Jurupari e refutou as denúncias de que sua propriedade, a fazenda Paineira, seria usada para prática de crime ambiental. Sabemos que somos vidraça. Por isso, sempre tivemos excesso de zelo em tudo. Não há ilegalidade, disse, que também convidou a imprensa para conhecer sua propriedade. Para ela, não restou dúvida de que a Operação teve viés político, adotado pelo juiz Julier. Com respaldo de seu advogado, ela questionou outras decisões do magistrado nas operações Pacenas, Curupira I e II, Termes e Arco de Fogo, que teriam sido reformuladas. A não ser o custo gigante dessas operações, qual foi o resultado para a sociedade?, indagou. O maior questionamento da defesa de Janete e dos demais acusados está na página 14 da decisão que originou as prisões. Se não tiver político, não precisa analisar. Ver apenas se era do Arcanjo, diz uma anotação revelada na decisão de Julier. Está claro o objetivo deste senhor. Ele sabe o poder político do deputado Riva e quer prejudicá-lo. Em nenhum momento no processo ele me chama de Janete Riva, sempre como a esposa do deputado, criticou a empresária. Em tom de desabafo, Janete também falou dos prejuízos psicológicos irreparáveis causados aos acusados que teriam sofrido denúncias contraditórias. Entre os presos, pessoas que tiveram R$ 80 milhões bloqueados enquanto estavam com a conta bancária no vermelho. O que fazer com essas pessoas que foram condenadas antecipadamente?, apontou. Quase no final da coletiva, o deputado federal Pedro Henry (PP) apareceu para entregar pessoalmente a Janete uma emblemática estatueta da deusa grega Têmis, guardiã dos juramentos dos homens e da lei. O pepista, denunciado nos escândalos do Mensalão e Sanguessuga, lidera um movimento que irá pedir providências ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e à Corregedoria do Tribunal Regional Federal da 1ª Região em relação às decisões do juiz Julier.