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Sexta-feira, 20 de Maio de 2011, 21h:39

MEIO AMBIENTE

Governador defende produtores rurais

Para o chefe do Executivo mato-grossense, a anistia que pode ser oferecida aos produtores não influenciou no alto índice de desmate em Mato Grosso

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
A anistia que pode ser dada a produtores rurais que desmataram não tem influência no alto índice de desmatamento registrado em Mato Grosso nos últimos meses. É o que considera o governador Silval Barbosa (PMDB). Conforme Silval, o texto do novo Código Florestal Brasileiro, que está marcado para ser votado na próxima terça-feira na Câmara dos Deputados, foi muito bem divulgado no sentido de que só terão indulto aqueles produtores que desmataram até junho de 2008. “A data de linha de corte é 2008, é um equívoco achar que quem desmatou ilegalmente em 2011 vai ficar impune”, disse o governador. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), divulgados esta semana, revelaram que o entre março e abril deste ano, dos 593 Km² derrubados na Amazônia Legal, 480 Km² eram do Estado. A última vez em que esse patamar de desmate foi registrado em Mato Grosso data do final de 2007, quando a então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, chegou a fazer uma vistoria in loco da devastação amazônica no Estado. Para os ambientalistas, a retomada dos megadesmatamentos anunciados essa semana não são novidade. O Instituto Centro de Vida (ICV), organização não-governamental, já havia divulgado a previsão de aumento. A causa seria a possibilidade de anistia providenciada pelo novo Código Florestal Brasileiro. “Podem ter essa sensação de impunidade, mas ninguém ficará impune, a meta do governo é desmatamento zero”, disse Silval. O governador disse que já conversou com a bancada federal sobre o Código Florestal e que os deputados vão votar pela aprovação. O relatório produzido agradou à classe produtora e como o Estado tem grande parte da economia baseada na agricultura e pecuária, os parlamentares do Estado devem votar pela aprovação do Código. “A bancada está decidida a votar pela aprovação do código, eles estão esperando posição da presidente”, afirmou Silval. A maior parte da bancada de mato-grossense é ligada ao setor produtivo ou pelo menos tem propriedades pelo interior, como os deputados federais Homero Pereira (PR), Wellington Fagundes (PR), Nery Geller (PP), Roberto Donner (PP) Ságuas Moraes (PT) e Carlos Bezerra (PMDB). Dos três senadores, Blairo Maggi (PR) e Jayme Campos são produtores rurais. Maggi já afirmou que se anistia aos produtores não passar pela Câmara Federal, esse ponto será revisto no Senado e o que indulto é a tendência a ser adotada no Senado. Ele é considerado um dos principais articuladores do Senado, pois tem bom trânsito com a classe produtora e os ambientalistas. A versão do relator do Código, deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), na comissão especial criada para cuidar do tema em 2009, desagradou especialmente a ambientalistas. Entre as novidades, além da anistia, está a redução pela metade da faixa de proteção às margens de rios pequenos.

Edição EDIÇÃO 16966




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