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Primeira Página
Sexta-feira, 16 de Abril de 2010, 21h:30

Foragida da PF foi detida em Minas Gerais

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
A Polícia Federal prendeu ontem, em Belo Horizonte (MG), Maria Guimarães Bueno, uma das foragidas da Operação Hygeia. Ela é presidente da Oscip Idheas e foi uma das 46 indiciadas pela PF por suposto desvio de dinheiro da Fundação Nacional de Saúde (Funasa). Ele está com a prisão preventiva decretada. Maria Guimarães estava foragida desde a quarta-feira passada, quando foi deflagrada a Operação Hygeia. Ela estava usando nome falso para dificultar sua prisão. A polícia já tinha informações sobre seu paradeiro e fez a prisão quando ela saía da casa de um conhecido. Na semana passada, por meio do advogado, ela disse que iria se apresentar, mas não apareceu. Hundel Wender, que fazia a defesa de Maria, disse que por questões profissionais não advoga mais para ela. O Ministério Público Federal (MPF) pediu a prisão preventiva – 30 dias - de Maria Guimarães e mais 14 pessoas do ramo empresarial acusadas de participação do esquema. Três pessoas ainda estão foragidas: Luciano Carvalho Mesquita, presidente do Instituto Creatio; Celino Carvalho Mesquita, empresário ligado ao Creatio; e Ronildo Nascimento, sócio da empresa LW Representação Comercial Ltda. e com participação na Oscip Idheas. A Oscip Idheas tinha contrato com as prefeituras de Tangará da Serra e Timótio (MG). Já a Creatio tinha contratos em Cáceres, Santo Antônio de Leverger e Pontes e Lacerda. As duas instituições agiam juntas, com interligações nos esquemas, segundo o delegado regional de combate ao crime organizado, Eder Rosa de Magalhães. Esses institutos foram contratados por prefeituras do interior para gerir recursos do Fundo Nacional de Saúde, que destina dinheiro para programas de Saúde Indígena, Saúde da Família (PSF), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) e unidades municipais de Saúde (UMS). De acordo com as investigações, as contratações desses institutos foram feitas sem processo licitatório e os projetos de parceria apresentam objetivos genéricos, além de apresentar custos muito superiores ao praticados por outras Oscips para gerenciar e administrar o quadro de profissionais de saúde dos PSF, Samu E UMS. Outra irregularidade, conforme as investigações, é que essas instituições teriam contratado funcionários-fantasmas, pessoas que recebem mensalmente, mas nunca compareceram aos serviços designados. Em um dos casos, quase 80% do valor da folha de pagamento de salários era destinada a profissionais que não faziam expediente algum. Como exemplo, agentes de saúde que deveriam prestar atendimento em comunidades indígenas, mas nunca apareceram no local. Pelas investigações, esses funcionários-fantasmas contratados pelas Oscips seriam parentes e apadrinhados de vereadores e secretários municipais, além de membros dos conselhos municipais de saúde, ente responsável pela fiscalização da boa execução do projeto.

Edição EDIÇÃO 16964




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