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Sexta-feira, 24 de Junho de 2011, 21h:24

JUSTIÇA

Ex-advogado é preso acusado de extorsão

Lauro Ribeiro Pinto de Sá Barretto, que movia ações contra a família do ministro Gilmar Mendes, foi preso recebendo R$ 20 mil de um empresário em Roraima

HUMBERTO FREDERICO
Da Reportagem
O ex-advogado Lauro Ribeiro Pinto de Sá Barretto, que já foi acusado de extorquir políticos de Mato Grosso, foi preso na última quinta-feira pela Polícia Civil de Roraima. Ele é acusado de extorquir uma pessoa naquele Estado. Barretto foi flagrado pela polícia recebendo R$ 20 mil do empresário Marcílio Arruda da Silva, da Aplub Capitalização, empresa responsável pelo título de capitalização “Roraima da Sorte”. Segundo a acusação, ele estava ameaçando o empresário, pedindo R$ 200 mil em troca de “não dificultar” a permanência do negócio no Estado com o ingresso de ações judiciais. Ele é servidor do Poder Judiciário. Barretto ficou conhecido em Mato Grosso por ações semelhantes a estas. Uma das vítimas foi o prefeito de Diamantino, Chico Mendes, irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. Chico foi alvo de várias ações impetradas por Barretto, todas elas com o intuído de atingi-lo, e por tabela, o irmão dele, que também chegou a ser alvo de suas ações. “Esse advogado veio para Diamantino em 2000, defendendo meu adversário político, e depois que eu fui eleito, ele ficou na cidade, sempre fazendo denúncias. Sei que ele tentava extorquir muita gente, mas nunca dei este tipo de abertura ao Barretto”, disse Mendes. Lauro Barretto perdeu o registro da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) justamente pela prática não condizente com o Código de Ética da instituição. Em Diamantino, ele chegou a mover uma ação contra Gilmar Mendes, tanto no Tribunal de Justiça, quanto no Senado Federal, onde pediu o impeachment do ministro. Nos dois casos, as ações foram arquivadas. Em Boa Vista, capital de Roraima, Barretto estava sendo investigado desde o mês de março. Não temendo as ameaças do advogado, o dono da “Roraima da Sorte” resolveu denunciar à polícia e passou a gravar as conversas com o ex-advogado. Até que o encontro foi marcado na sede da empresa. A polícia acompanhou toda a movimentação, gravou a reunião e Lauro Barretto foi preso em flagrante após deixar o local. Barretto foi levado para a Delegacia Geral e, após ser interrogado, foi encaminhado para a Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, onde permanecerá à disposição da Justiça. Além de extorsão, ele poderá ser enquadrado no crime de exercício ilegal da profissão, já que se passava por advogado. O advogado dele, Alex Ladislau, alega que seu cliente foi contratado pelo empresário Marcílio Arruda para fazer o estudo e a defesa de uma ação civil pública que a empresa teria no Amapá. “Foi acertado o valor dos honorários e marcada a data para ser pago. Ele então foi ao local para pegar o montante e, ao sair, foi surpreendido pelos policiais que o deram voz de prisão”, defendeu Ladislau.

Edição EDIÇÃO 16962




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