Essa foi a condição imposta pelo juiz federal Jefferson Schneider para que o ex-secretário pudesse responder ao processo em liberdade
Acusado de liderar um esquema de lavagem de dinheiro para políticos em Mato Grosso, o ex-secretário Eder Moraes se comprometeu a manter-se afastados de lideranças como o governador Silval Barbosa (PMDB) e o senador Blairo Maggi (PR) para conseguir a liberdade após a deflagração da Operação Ararath. Além deles, Moraes não deve ter contato com Gércio Marcelino Mendonça Júnior, o Júnior Mendonça, acusado de ser financiador do esquema. Após 81 dias na cadeia, Eder assinou um termo de compromisso exigido pelo juiz da 5ª Vara Federal, Jefferson Schneider, para responder o processo em liberdade. A lista de nomes dos quais Eder deve manter distância é composta por 23 nomes. Além de Silval, Maggi e Junior Mendonça constam ainda o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado, Sérgio Ricardo, conselheiro afastado Humberto Bosaipo, e Alencar Soares, que se aposentou do TCE. Eder também não deve manter contato com o desembargador Evandro Stábile, afastado da função por ser investigado na Operação Asafe, que desmontou um esquema de venda de sentenças no Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso. O procurador Geral de Justiça, Paulo Prado, e o promotor Marcos Regenold, também não devem ter contato com Eder. Os dois são acusados de terem beneficiado o ex-secretário em investigações do Ministério Público Estadual. Regenold aparece em interceptações telefônicas com Eder no dia em que a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão na casa do acusado. Estar afastado de pessoas investigadas pela operação Ararath é a forma que o juiz encontrou para impedir que Eder interfira no andamento do processso. Eder deixou a cadeia há cerca de dez dias por decisão do ministro José Antonio Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. Tóffoli acatou os argumentos do advogado José Eduardo Alckmin, determinando a soltura do ex-secretário, desde que ele obedecesse medidas restritivas a serem impostas pelo juiz de primeira instância. A exceção ficou por conta de Laura Tereza da Costa Dias, esposa de Eder Moraes e também investigada. Não há restrição para a aproximação entre eles. Assim como o marido, Laura Dias prestou depoimento à Justiça Federal na semana passada.