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Quinta-feira, 02 de Julho de 2015, 21h:22
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EM LIBERDADE
É um absurdo o que aconteceu, diz Riva
KAMILA ARRUDA
Da Reportagem
O ex-deputado estadual José Riva (PSD) classificou como absurdo o novo pedido de prisão expedido pela juíza Selma Rosane de Arruda. O ex-parlamentar foi liberado no meio da tarde desta quinta-feira (02), após passar a noite no Centro de Custódia de Cuiabá. Fico feliz em sair, acredito na Justiça e, é por isso que é importante o duplo grau de jurisdição. É um absurdo o que aconteceu, mas a gente tem que acreditar em Deus acima de tudo, disse Riva. De acordo com ele, a sua banca de advogados irá tomar as providências necessárias em desfavor da magistrada. Questionado se achava que estava sendo perseguido por parte da mesma, Riva preferiu não comentar. A verdade vai aparecer. Eu prefiro não comentar isso vou deixar os meus advogados tomar as providências processuais cabíveis, enfatizou. O ex-presidente do Parlamento estadual foi preso na última quarta-feira (1°) sob a acusação de chefiar uma organização criminosa que desviou cerca de R$ 10 milhões da Assembleia Legislativa entre os anos de 2013 e 2014. A medida é fruto da Operação Ventríloquo, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado. A nova prisão foi decretada pela magistrada uma semana após ele ser posto em liberdade por força de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele garantiu a liberdade no último dia 24. O ex-deputado passou mais de quatro meses detido no Centro de Custódia em decorrência das acusações imputadas pelo processo penal oriundo da Operação Imperador. Na tentativa de garantir a liberdade, ele teve diversos recursos negados em todas as instâncias antes de ser solto pelo STF. Desta vez, entretanto, sua prisão foi revogada por decisão monocrática do ministro Gilmar Mendes. A decisão se deu em resposta a uma reclamação impetrada pela defesa do ex-parlamentar junto ao HC concedido pelo STF na semana passada. No recurso, os advogados Rodrigo Mudrovitsh e Valber Mello alegam que houve descumprimento por via reflexa da decisão anterior da Corte. Segundo o jurista, na decisão em que mandou prender Riva novamente, a juíza fez referência à decisão anterior do STF e afirmou que não concordava com a soltura do ex-deputado. O Supremo, inclusive, já tinha ciência desta nova investigação por parte do GAECO. Isto porque, quando a assessoria jurídica de Riva pediu a revogação da prisão junto ao STF, o promotor Marco Aurélio de Castro foi pessoalmente a Brasília informar aos ministros o novo esquema supostamente chefiado por Riva. Na oportunidade, o Supremo entendeu que não havia a necessidade de uma nova prisão do ex-deputado. Por conta disso, acatou os argumentos da defesa e concedeu a liberdade ao social-democrata na noite de ontem (1º). A defesa de José Riva irá pedir novamente o afastamento de Selma Rosane do caso. Ela é responsável pela 7° Vara Criminal e está à frente dos processos oriundos da Operação Imperador. Para Mudrovitsh, a magistrada não tem atuado com a imparcialidade devida nos casos envolvendo o social-democrata. A Operação Ventríloquo teve como base a delação premiada do advogado Joaquim Fábio Mielli Camargo, que procurou o MPE após ser acionado judicialmente pelo HSBC Seguros Brasil S/A, instituição financeira para a qual prestava serviços.