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Sexta-feira, 24 de Julho de 2009, 21h:36
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TELEFÉRICO
Dono de área doou R$ 25 mil a Yuri
Advogado foi um dos principais financiadores de campanha eleitoral do hoje secretário estadual, em 2002, quando pleiteava vaga de deputado
ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
O advogado Antônio Checchin Júnior, dono de uma das duas propriedades escolhidas pela Secretaria de Estado Desenvolvimento do Turismo (Sedtur) para a construção do teleférico no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães, foi um dos principais financiadores da campanha do titular da Pasta, Yuri Bastos Jorge, a vaga de deputado estadual nas eleições de 2002. O advogado doou R$ 25 mil, em dinheiro, conforme a prestação de contas de Yuri divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Checchin fez duas doações, a primeira no valor de R$ 13 mil e a outra de R$ 12 mil. Os desembolsos aconteceram nos dias 16 e 17 de setembro de 2002, poucos dias antes do pleito eleitoral daquele ano. O fato apimenta ainda mais a polêmica envolvendo a Sedtur e o Ministério Público Estadual (MPE), que pediu a paralisação das obras, acatado em liminar concedida pela Justiça. O promotor de Justiça de Chapada dos Guimarães, Jaime Romaquelli, levantou suspeitas envolvendo a execução da obra. Em trecho da ação judicial, o promotor destaca que a Sedtur pretende construir obras para implantação de um teleférico nessa minúscula, relevante e sensível propriedade, num aparente conluio com o requerido (Checchin). O secretário de Turismo, Yuri Bastos Jorge foi procurado pela reportagem. Sobre a doação de verba para sua campanha eleitoral, ele admitiu que recebeu a doação e defendeu que não há nenhuma ilegalidade e nem imoralidade no fato. Se eu não puder firmar contratos com pessoas que conheço, vai ficar impossível, porque cresci e sempre morei aqui, argumenta Yuri, que entrou este mês na Justiça com uma ação penal privada contra o promotor Jaime Romaquelli por injúria, calúnia e difamação. Ele também explicou que a construção do teleférico em Chapada faz parte de um conjunto de obras já planejadas para permitir a vinda da Copa de 2014 para Cuiabá. Segundo ele, 99% das obras estão previstas para aconteceram dentro do Parque Nacional de Chapada. Enquanto isso, apenas 1% está concentrada em duas propriedades privadas, uma delas de Checchin. Esses dois lugares se referem ao teleférico e são os dois pontos mais bonitos de Chapada, defende o secretário. A reportagem tentou, sem sucesso, contato com o advogado Antônio Checchin ao celular. As obras não tinham licença ambiental junto à Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), o que levou à ação civil pública movida pelo MPE. O pedido de suspensão do empreendimento foi acatado pelo juiz da 1ª Vara Cível e Criminal de Chapada, Eduardo Calmon de Almeida Cezar. No despacho, o magistrado observa que a suspensão irá durar até que as licenças sejam apresentadas pelo proprietário e pelo Estado. "O fato de inexistir licença ambiental para a citada obra 'saltam aos olhos', para qualquer magistrado prudente, o início da degradação ambiental provocada por ato exclusivo e culposo por parte do primeiro requerido, o qual, ciente do dever de preservação do meio ambiente ecologicamente equilibrado para as presentes e futuras gerações resolveu, de forma irresponsável, iniciar a construção da obra, sem licença ambiental, para atender o interesse pessoal e egoísta em prejuízo ao interesse difuso", destacou o magistrado na decisão.