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Sexta-feira, 07 de Março de 2014, 20h:44

Distanciamento feminino tem se reduzido ao longo de anos

O distanciamento das mulheres da política, segundo aponta Glória Maria Munhoz, integrante do Fórum de Articulação de Mulheres de Mato Grosso e membro do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher, no entanto, está diminuindo. “Isso está mudando, as mulheres estão mais engajadas. Elas estão assumindo esse desafio de participar dos espaços públicos de decisão. É uma luta constante para ter a possibilidade de concorrer. O machismo não é determinante”, opina. Ela, todavia, pondera que a falta de interesse do gênero em participar é justificada pela realidade dos processos políticos. “Não é o que se espera. A mulher quer políticas de serviço, projetos de sociedade que contemplem a todos. Elas têm vontade que a política seja uma abertura para a sociedade”, acrescenta. Já Janete Carvalho, vice-presidente da União Brasileira de Mulheres em Mato Grosso, pontua que a questão não está centrada na falta de disposição das mulheres. Para ela, o que falta é um incentivo real para a participação delas, especialmente pelo preconceito que precisa ser superado. “A política é um espaço bem masculino. Na nossa sociedade, o homem tem mais facilidade nos espaços públicos. Pode fazer campanha em campo de futebol e até em bar. Mulher precisa de aparato e proteção, pois pode ser alvo de chacota”, sustenta. Janete, que foi candidata ao Senado em 2006 e obteve mais de 190 mil votos, relata ter sentido na pele a realidade. “Na minha campanha de vereadora ouvi piadinhas de mau gosto, inclusive com conotação sexual. Tudo isso tem que ser levado em consideração. O homem precisa ver isso com naturalidade e a mulher tem que se impor, sem correr o risco de sofrer represálias por isso”, defende. No entendimento do presidente do PCdoB em Mato Grosso, Aislan Galvão, partido ao qual Janete é filiada, as dificuldades encontradas pelas mulheres são resultado da história de formação do povo brasileiro. “Até 1946 a mulher não podia votar. Nossa formação é machista. Está demorando muito para que mulheres demonstrem sua capacidade, não só de administrar, mas também de legislar. Elas estão em todas as áreas do conhecimento, por que não estariam na política?”. Galvão ainda acrescenta que, gradativamente, tudo tem mudado. No PCdoB, conforme afirma, diversos cargos são ocupados por mulheres. Ele cita como exemplo as secretarias de finanças e de formações, que são comandadas por mulheres. A presidência estadual da Central de Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil também é ocupada pelo gênero feminino. (TP)

Edição EDIÇÃO 16967




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