Deputados derrubam veto de Silval ao projeto da Ager
RENATA NEVES
Da Reportagem
Por 14 votos a 8, os deputados estaduais derrubaram o veto do governador Silval Barbosa (PMDB) a uma emenda do projeto de lei que regulamenta a concessão das linhas intermunicipais. Com isso, fica autorizada a atuação de pelo menos duas empresas de ônibus em cada um dos oitos mercados em que o Estado foi dividido. A diversidade de entendimentos em relação ao projeto gerou polêmica entre os poderes Executivo e Legislativo. Isso porque a emenda apresentada pelos deputados recebeu o aval do líder do governo na Assembleia, deputado Romoaldo Júnior (PMDB), porém, Silval surpreende a todos ao decidir vetá-la. Após as divergências, Romoaldo liberou os parlamentares que compõem a bancada do governo para votarem de acordo com seus entendimentos pessoais. O projeto de autoria do governo do Estado autorizava apenas uma empresa de ônibus a atuar em cada um dos oito mercados. O modelo respeita moldes da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Já a emenda proposta pelos deputados estaduais e vetada pelo governador, permitia a atuação de pelo menos duas empresas. Com a derrubada do veto, prevalece o entendimento do Parlamento. Os deputados que votaram favorável à manutenção da emenda entendem que a proposta apresentada pela Assembleia põe fim ao monopólio que vigora há anos no Estado. Um dos maiores defensores da ampliação do número de empresas, o deputado Emanuel Pinheiro (PR) comemorou a derrubada do veto. Prevaleceu o interesse da população usuária do sistema, porque o monopólio é um retrocesso. Hoje vivemos num modelo econômico da livre iniciativa, onde se sobrepõe quem apresenta melhor qualidade. Não é moral fazer o usuário refém de uma única empresa naquele mercado. É necessário que haja no mínimo duas para que o usuário possa ter a liberdade de definir qual delas é melhor, declarou. Apesar de representar o governo na Assembleia, Romoaldo Júnior votou pela derrubada do veto para evitar indisposições com os demais parlamentares. O governador já esperava isso, afinal, não pode acontecer esse tipo de coisa. Construirmos um entendimento com os deputados e depois termos a nossa proposta vetada, frisou. O governo do Estado, por sua vez, alerta para o risco de não haver viabilidade econômica do serviço. A realização de uma licitação para a exploração da concessão das linhas intermunicipais é uma obrigação do Estado e está firmado num Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público Estadual.