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Sexta-feira, 17 de Julho de 2009, 21h:13

PEIXOTO DE AZEVEDO

Denúncias podem ter motivado morte

Ex-secretário de Governo, Antenor Pereira dos Santos, 56 anos, foi encontrado morto na sua residência

Alexandre Alves
Da Reportagem/Sinop
O ex-secretário de Governo da prefeitura de Peixoto de Azevedo, Antenor Pereira dos Santos, 56 anos, foi encontrado morto em sua residência na tarde de quinta-feira (16). O corpo foi velado na Câmara Municipal de Peixoto e transladado posteriormente para Cuiabá, onde residem familiares, para ser sepultado. Antenor era funcionário público federal aposentado, tendo trabalhado como delegado do extinto Dentel, órgão federal que atuava na fiscalização de rádio e televisão em todo o país. Em Peixoto de Azevedo, foi secretario de governo entre 2005 e 2006, na administração Baiana Heller, e atualmente era pecuarista. Segundo informações que a família repassou à Polícia Militar, Antenor teria se suicidado com um tiro na boca, com revólver calibre 38. A polícia informou que ele teria deixado uma carta aos familiares que supostamente explica os motivos que o teriam levado a tirar a própria vida. Na carta, há relatos de decepção com a Justiça, já que enfrentava ações do tempo em que era secretário de Governo da prefeitura. Cerca de duas horas antes da morte, havia sido intimado por um oficial de justiça para uma nova audiência. Antenor foi um dos coordenadores da campanha da então candidata Baiana Heller à prefeita do município, tornando-se seu secretário, posteriormente. Ele chegou a ser preso pela polícia em uma investigação do Ministério Público que apurava um suposto esquema de desvio de recursos da prefeitura. Também foram detidos naquela ocasião o secretário de Administração, Edmar Heller, que era o esposo da prefeita, e o secretário de Finanças e Orçamentos, Paulo Nissassi. Eles foram investigados pela “Operação Sumidouro”, realizada em março de 2007. O Ministério Público propôs Ação Civil Pública por Ato de Improbidade Administrativa contra a prefeita e os três secretários, que foram acusados de enriquecimento ilícito e prejuízo aos cofres municipais. A “Sumidouro” resultou na apreensão de inúmeros documentos que comprovam fraudes nas licitações, além de aproximadamente 40 carimbos de empresas usados para falsificar as concorrências públicas. Na época, o MP apontou que houve direcionamento de licitações e repasses feitos por um ex-funcionário de gráfica que operaria duas contas bancárias, onde eram depositados recursos que seriam desviados. Os promotores que atuaram no caso obtiveram depoimentos que revelaram existir repasse mensal de R$ 6 mil para pelo menos dois secretários. O MP chegou a informar, dias após a operação, que o esquema de fraudes teria sido de R$ 2 milhões e começado em 2005. A prefeita, nos depoimentos, não foi acusada formalmente pelos ex-secretários e demais investigados. Logo após a operação do Gaeco, a Justiça bloqueou os bens de Antenor, Baiana, Edmar e Paulo, além de 5 empresários. O ex-secretário tinha como companheira Leocedia Bee, com quem vivia há vários anos. O casal possuía fortes laços de amizade em Peixoto de Azevedo, uma vez que atuava no setor da agropecuária, sendo Leocedia presidente da Associação dos Criadores do Vale do Peixoto (Acrivale).

Edição EDIÇÃO 16962




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