Dois renomados economistas do País serão os próximos a ser ouvidos sobre a proposta do governo de renegociar a dívida de Mato Grosso
JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
Os economistas Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo, considerados papas da economia brasileira, serão os próximos a analisar o projeto de reestruturação da dívida pública de Mato Grosso encampado pelo governo Blairo Maggi (PR). A consultoria encomendada pela Assembléia Legislativa (AL) está sendo articulada com apoio de ninguém menos que Paulo Maluf (PP), deputado federal e ex-governador de São Paulo. Entre várias funções acumuladas no currículo político, Delfim Netto ganhou notoriedade especial no cargo de Ministro da Fazenda durante o governo militar, considerado um dos mentores do período conhecido como milagre econômico no país. Já Belluzo carrega na bagagem o posto de secretário de Política Econômico do Ministério da Fazenda, na década de 80. Ambos doutores em Economia, são autores de vários livros na área. A idéia é que uma comitiva formada por deputados estaduais e membros do governo Blairo Maggi se sentem à mesa com os dois economistas dentro das próximas semanas. A pedido do deputado estadual José Riva (PP), os contatos estão sob os cuidados de Paulo Maluf. Dono de extenso currículo político, Maluf também é conhecido nacionalmente por uma leva de escândalos de corrupção. Na prática, o projeto de renegociação da dívida pública passará por uma sabatina sob o crivo de especialistas. De um lado, interlocutores do governo estadual almejam o respaldo de sumidades econômicas ao projeto arquitetado pela gestão de Maggi. De outro, parlamentares declaram oficialmente buscar um norte à apreciação do projeto que se encontra há semanas no Legislativo. Nos bastidores, um eventual lastro da ala de peso na Economia à proposta de venda de títulos ao mercado privado viria a calhar a deputados da base governista bloco quase absoluto na Assembléia em meio a críticas ao projeto no campo político. Na semana passada, comitiva mato-grossense foi recebida pelo ex-presidente do Banco Central na Era FHC, Armínio Fraga, no Rio de Janeiro. Fraga é um dos donos da Gávea Investimentos, empresa que administra uma carteira de ativos na ordem de R$ 12 bilhões. Ele teria julgado os moldes do projeto positivos ao Estado, mas vislumbrou ressalvas à aceitação das condições pelo mercado privado. Em Mato Grosso, a idéia de renegociação da dívida mato-grossense travada junto à União rende há alguns meses discursos inflamados de parlamentares e membros do Tribunal de Contas do Estado contra o Poder Executivo. O alongamento do período de pagamento às custas de supostos dividendos políticos a Blairo Maggi tem sido o foco dos questionamentos. O grande puxador do coro de críticas tem sido o conselheiro do TCE Valter Albano. Ele foi secretário de Fazenda de Mato Grosso no período em que o pacto federativo envolvendo as dívidas de Estados junto à União foi selado, na década de 90.