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Segunda-feira, 11 de Julho de 2016, 21h:05
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INTERMAT
Delação de ex-presidente é homologada
Afonso Dalberto, ex-presidente do Intermat, teve delação homologada pela juíza Selma Arruda
RAFAEL COSTA
Da Reportagem
A juíza da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, Selma Rosane Arruda, homologou termo de colaboração premiada firmado pelo ex-presidente do Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso) Afonso Dalberto. Diante disso, Afonso se compromete a auxiliar o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) nas investigações relacionadas às duas fases da operação Seven para obter o benefício de redução de 1/3 a 2/3 numa eventual condenação ou extinção da pena conforme prevê a legislação. Nos bastidores, comenta-se que Afonso Dalberto está disposto a revelar informações e entregar documentos que apontam ainda mais fraudes na gestão do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) no que se refere a transações envolvendo terrenos públicos. Uma das metas dos promotores de Justiça é desvendar irregularidades em um pagamento de R$ 80 milhões autorizado pelo Estado para compensar desapropriações dos bairros Jardim Liberdade e Renascer. As áreas já pertenciam ao Estado e mesmo assim houve um novo pagamento beneficiando duas empresas privadas. A situação se assemelha à transação que levou à primeira fase da operação Seven ser deflagrada. Houve ainda uma outra transação suspeita que foi a venda de um terreno público com mais 72 mil metros quadrados ao empresário Jânio Viegas de Pinho, dono da JVP Factoring. A área em questão está localizada nos fundos do Hospital do Câncer. Trata-se de uma das regiões mais valorizadas de Cuiabá com avaliação do metro quadro variável de R$ 400 reais a R$ 500 reais. Por conta disso, um terreno deste porte tem avaliação média de R$ 30 milhões de reais. No entanto, a venda do terreno que recebeu aval da Intermat foi avaliada pelo irrisório valor de R$ 15 reais por metro quadrado. Após ser preso na primeira fase da operação Seven, Afonso Dalberto conseguiu reverter a prisão preventiva em prisão domiciliar por conta de um tratamento de câncer. Recentemente, recorreu à Justiça para anular a prisão domiciliar por conta das contribuições feitas à Justiça no transcorrer das investigações, ainda que naquele momento não tenha firmado nenhum termo de colaboração premiada. A primeira fase da operação Seven, deflagrada em fevereiro deste ano, culminou em mandado de prisão preventiva contra o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o ex-secretário de Estado Pedro Nadaf, o ex-secretário-adjunto de Administração, José de Jesus Nunes Cordeiro, o procurador aposentado do Estado, Francisco Gomes de Lima Filho, o Chico Lima, e o ex-presidente do Intermat Afonso Dalberto. Todos já foram denunciados à Justiça e são réus pelos crimes de peculato, ordenação de despesa não-autorizada e formação de organização criminosa. A segunda fase da operação Seven culminou em nova denúncia dos promotores de justiça a qual tornou réus os ex-secretários de Fazenda, Marcel de Cursi, e da Casa Civil, Pedro Nadaf, e os presidentes do Intermat (Instituto de Terras de Mato Grosso), Afonso Dalberto, e da Metamat (Companhia Mato-grossense de Mineração), João Justino Paes de Barros. O médico Filinto Correa da Costa, beneficiário direto do dinheiro desviado, e seus filhos, Filinto da Costa Junior e João Celestino Correa da Costa, assim como o procurador aposentado Francisco Gomes de Andrade Lima Filho, também estão entre os denunciados. Apontado como líder de suposta organização criminosa que atuava no governo do Estado entre 2011 e 2014, o ex-governador Silval Barbosa não foi denunciado, já que não foi identificado nenhum indício de sua participação nesta fase do suposto esquema. Alvos na primeira fase da Operação, o ex-secretário de Planejamento, Arnaldo Alves de Souza, e o ex-adjunto de Administração, José de Jesus Nunes Cordeiro, também foram poupados pelo Gaeco. Todos são acusados pelos crimes de lavagem de dinheiro, peculato, corrupção passiva e organização criminosa.