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Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009, 08h:31

Cassados, deputados deixam suplentes na expectativa

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
Numa legislatura já marcada pelo troca-troca de cadeiras, quatro novos suplentes poderão ascender às vagas de titulares da Assembleia Legislativa (AL) caso os parlamentares Percival Muniz (PPS), Chica Nunes (PSDB), Gilmar Fabris (DEM) e o suplente Roberto França (sem partido) sejam cassados pela Justiça. Entre os ‘aspirantes’, o maior beneficiado seria Pedro Satélite (PPS), que assumiu o cargo por algumas vezes desde o começo de 2007, em função de um rodízio numa das alas de parlamentares. Além de Satélite, eventuais cassações em definitivo beneficiariam politicamente os suplentes Joaquim Sucena (DEM), Túlio Fontes (DEM) e Carlos Avalone (PSDB). O tucano é um dos supostos indiciados pela Polícia Federal na operação Pacenas, que desbaratou esquema de fraudes em licitações do PAC em Cuiabá e Várzea Grande. Dono da construtora Três Irmãos, Avalone é suspeito de participar das negociações espúrias para afastar empresas de fora do Estado dos certames e ‘emplacar’ a vitória nas concorrências junto a servidores das duas prefeituras. Assim como Pedro Satélite, Avalone conquistou apenas a suplência nas eleições de 2006 e também chegou a ocupar a cadeira de titular temporariamente em razão de licenças. No pleito eleitoral, ele obteve 13.857 votos, ficando atrás da eleita Chica Nunes, que arrebanhou 27.648 votos, e de Guilherme Maluf, com 23.189 votos, eleito por média. Os três disputaram a Assembleia em chapa pura lançada à época pelo PSDB. Mas é a coligação Mato Grosso Unido e Forte quem seria o palco de maior renovação com as eventuais cassações, com três novos quadros. Entre os eleitos pela coligação estão os outros três parlamentares na ‘berlinda’ quando o assunto são processos de cassação: Percival Muniz, o mais votado do bloco, com 41.716 votos, Gilmar Fabris, eleito por média com 20.057 votos, e ainda o ex-prefeito Roberto França, que chegou apenas à segunda suplência com seus 19.521 votos. A coligação uniu candidatos do antigo PFL, hoje intitulado DEM, e do PPS. Hoje, por conseqüência, o bloco inclui o PR, já que uma leva de filiados do PPS migrou para a nova sigla, fruto da fusão do Prona com o PL. À época, acordo foi selado entre os então candidatos para que ao menos o primeiro e o segundo suplentes fossem contemplados com um futuro rodízio entre os parlamentares, pacto que passou a acolher Wagner Ramos (PR) e Roberto França. Porém, no final de 2007, Wagner se estabeleceu como titular com a saída do veterano Humberto Bosaipo da AL, nomeado conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE). França passou então a manter a cadeira cativa de deputado, praticamente sem interrupções, graças ao revezamento entre os parlamentares, diferente da situação de Satélite, terceiro suplente, com estadas intermitentes na atual legislatura. A brecha aberta com eventuais cassações também contemplaria Joaquim Sucena e Túlio Fontes, que ficaram classificados como quarto e quinto suplentes da coligação em 2006, com 17.892 e 17.690 votos, respectivamente. O curioso é que Túlio já ocupa o atual cargo político, de prefeito de Cáceres, em decorrência de uma cassação: a do rival político Ricardo Henry (PP). Ambos já foram prefeitos da cidade em mandatos anteriores.

Edição EDIÇÃO 16962




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