Deputados estaduais democratas optaram por não participar de ato regional de partidos de oposição ao governo Maggi em Cáceres
RAFAEL COSTA
Da Reportagem
Os quatro deputados da bancada estadual do DEM decidiram não participar do encontro que a sigla fará em conjunto com PSDB e PTB no município de Cáceres (225 quilômetros a Oeste de Cuiabá). Neste sábado os partidos darão o primeiro passo para o entendimento rumo a uma consolidação de aliança para 2010 com a possibilidade de inclusão de PPS e PMDB. Em reunião que ocorreu ontem após a sessão da Assembleia Legislativa os parlamentares Dilceu Dal Bosco, Gilmar Fabris, José Domingos Fraga e Walace Guimarães decidiram que participar de encontros com partidos da oposição significa uma incoerência. Não seria justo se encontrar com partidos que fazem oposição a um governo que nós apoiamos. Se o governo Blairo Maggi for questionado também podemos ser alvo de questionamento pelos discursos desencontrados, disse o deputado Gilmar Fabris, ontem após o depoimento prestado à Justiça Eleitoral acusado de boca-de-urna. O presidente do diretório estadual do DEM, Oscar Ribeiro, já foi comunicado da decisão e acatou o pedido. Entretanto, Fabris destaca que a decisão não é uma contrariedade à iniciativa da cúpula democrata. Não se trata de retaliação, mas entendemos que os partidos devem fazer encontros individuais para construir formação de candidaturas proporcionais e trabalhar a candidatura do senador Jayme Campos ao governo. O parlamentar disse ainda que considera prematuro a discussão que trata de alianças partidárias por conta do cenário político instável na esfera nacional. Houve a retomada da discussão da reforma política no Congresso Nacional que pode estender mandatos. Também se discute uma janela para mudança de partido e ainda tem a possibilidade de verticalização, alerta. Fabris preferiu não comentar sua perspectiva diante da configuração do cenário político nacional que leva à formação da aliança PSDB-DEM para apoiar a candidatura do governador de São Paulo José Serra. A formatação deste quadro pode levar a coligação de duas siglas adversárias históricas em Mato Grosso. A executiva nacional de ambos os partidos estão dispostas a superar divergências nos Estados para evitar qualquer possibilidade de uma nova vitória do PT que está cada vez mais dependente do apoio do PMDB para manter chances de ganhar a eleição presidencial. O PSDB ainda não definiu se o candidato será José Serra ou Aécio Neves, o que não dá para avaliar. O quadro político atual é marcado por muitas incertezas, afirma.