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Cuiabá MT, Sexta-feira, 19 de Junho de 2026

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Sábado, 19 de Maio de 2007, 14h:21

OPERAÇÃO NAVALHA

Auditoria aponta superfaturamento de 110%

Um documento apresentado pela Câmara de Vereadores, em 2005, já mostrava disparidade no valor da obra contratada pelo Executivo

JULIANA SCARDUA
Da Reportagem
Relatório elaborado em 2005 por uma empresa de engenharia contratada pela Câmara de Sinop aponta para superfaturamento de até 110% no projeto da rede de saneamento e uma diferença superior a 400% em alguns materiais e equipamentos. O projeto de construção de 40% da rede de esgoto da cidade está no centro da prisão do prefeito Nilson Leitão (PSDB) durante a Operação Navalha, sob a suspeita de ter embolsado ao menos R$ 200 mil na suposta negociata que deu à construtora Gautama a vitória na licitação. O projeto do Executivo, que beneficiaria 7,5 mil famílias no município, prevê R$ 46,7 milhões em obras. Contudo, análise feita pela RMS Engenharia, de Fortaleza (CE), aponta para o orçamento médio de R$ 22,280 milhões em município do interior do Ceará com dimensão população similar a Sinop. O sobrepreço beira à ordem de 110%. O documento data de 20 de junho de 2005. A auditoria privada também traça um comparativo com projetos-padrão adotados pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e o valor médio praticado nesse tipo de obra na região norte do país. Nesses dois casos, a majoração no valor designado em Sinop atinge a marca de 94,81% e 55,67%, respectivamente. Considerando os padrões da Funasa, a obra em Sinop não custaria mais que R$ 23,97 milhões, ao passo que a média orçada em municípios do Norte indica a cifra de R$ 30 milhões. A mesma diferença vertiginosa é verificada em alguns itens em particular na demanda de construção. O valor para a montagem do canteiro de obras é o caso mais gritante, cujo sobrepreço chega à marca de 420%. O comparativo elaborado pela consultoria confronta as planilhas de custos na região metropolitana de Fortaleza e Sinop. Enquanto na cidade mato-grossense o preço apurado para o canteiro de obras é de R$ 280,729 mil, o valor mais caro apurado na capital cearense é de R$ 53,942 mil. O vereador José Pedro Serafini (sem partido), à época presidente da Câmara, lembra que o relatório da consultoria foi entregue pessoalmente ao prefeito Nilson Leitão. "Mas ele não tomou nenhuma providência". A contratação da empresa foi proposta pela Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara local. O presidente da comissão, Mauro Garcia (PPS), lembra que a preocupação inicial era averiguar a capacidade financeira real da prefeitura em arcar com o projeto e que somente após a análise dos especialistas foi se atentar para o superfaturamento no orçamento. "Vimos que essa seria uma conta praticamente impagável para o próximo prefeito e que iria inviabilizar a futura gestão por atrelar o FPM ao pagamento. Nilson Leitão não estava preocupado naquele momento com a administração", acusa o vereador. Conforme o pedido de financiamento aprovado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a prefeitura oferta como garantia sua cota-parte no bolo do Fundo de Participação do Município (FPM). O contrato seria assinado com o agente financeiro na quarta-feira (23). Ele relata que apesar das disparidades apontadas no relatório, foi voto vencido na comissão e se viu de mãos atadas dentro do Legislativo ante a forte base de sustentação do prefeito. Os vereadores Sinéia Abreu (PSDB), hoje presidente da Câmara e ex-vice-prefeita da cidade no primeiro mandato de Leitão, e Tião da São Camilo (PMDB), membros da comissão à época, votaram favoráveis ao projeto nos moldes apresentados pela prefeitura. "Fomos bastante criticados por pessoas dizendo que não queríamos o desenvolvimento de Sinop. Hoje a coisa está escancarada".

Edição EDIÇÃO 16966




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