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Primeira Página
Sábado, 09 de Junho de 2007, 13h:44

ENTREVISTA

Apoio de Jayme em VG é incógnita

Senador Jayme Campos (DEM) considera que ainda é cedo para fazer uma avaliação deste segundo mandato do governador Blairo Maggi (PR)

SONIA FIORI
Da Reportagem
Ex-governador do estado de Mato Grosso, ex-prefeito de Várzea Grande por três mandatos e senador da República eleito no pleito de 2006, Jayme Campos (DEM) é um líder nato do partido mesmo sem ostentar o título de presidente da legenda. É também o responsável por levar a “Era Campos” à frente do cenário político mato-grossense por décadas. O prestígio do senador junto à sociedade não se atém apenas à sua principal base eleitoral, Várzea Grande. O peso político de Jayme no Estado foi conferido nas urnas com 781.182 votos para um mandato de oito anos no Senado. Cacique do ex-PFL e atual Democratas, Jayme nega a possibilidade de construir projeto para o governo do Estado em 2010. Por enquanto, os olhos estão voltados ao pleito de 2008 com o intuito de reacender a força política do partido. Com a bandeira de fortalecer o DEM para deixar de ser coadjuvante, Jayme centraliza os debates no município de Várzea Grande. A acirrada disputa entre pré-candidatos à Prefeitura da cidade pela legenda poderá ser definida com o lançamento do irmão do senador,conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Júlio Campos, como líder de chapa. Contudo, antecipa que os debates estão apenas começando e não descarta a chance de o DEM apoiar outro candidato na cidade, caso do deputado Maksuês Leite (PP). Nesta entrevista ao Diário, o senador também fala sobre o cenário político no Estado, a relação com o governador Blairo Maggi (PR) e ainda sobre Reforma Política. Diário de Cuiabá - O senhor é um líder do partido e teve uma votação muito expressiva para o Senado. Na sua avaliação, a que se deve o resultado das eleições de 2006? Jayme Campos - Eu acho que nada mais é do que um trabalho prestado ao longo da nossa vida pública, não só como prefeito de Várzea Grande, mas sobretudo como governador, que nos deu as condições suficientes de obter essa grande votação. E acima de tudo a forma como a gente pratica política, coerente, responsável, ética e solidária e isso com certeza me deram esse primeiro fôlego. Em segundo, em relação de que a sociedade mato-grossense me conhece muito bem, sabe que todas as vezes que eu assumo um cargo trabalho com muita dedicação, de forma responsável, e Mato Grosso queria naturalmente um senador que pudesse contribuir sobremaneira não só com o seu papel de ser um bom legislador, um bom fiscalizador em nível de Executivo e lutar pelos interesses de Mato Grosso. Diário - A gente viveu a era Campos no Estado e o senhor sobreviveu. Tem alguma diferença entre a sua forma de fazer política e a de os outros Campos? Jayme - Nenhuma diferença, até porque a bem da verdade a votação que tive para alguns foi surpreendente e para mim não foi surpresa alguma. Muito pelo contrário, eu sabia já desde o início quando fui lançado a senador que teria uma votação expressiva e, acima de tudo, porque acredito plenamente na minha capacidade eleitoral e, sobretudo, no meu potencial. E além do mais, tudo isso é reflexo do trabalho que realizamos. Nós não podemos esquecer que o Júlio Campos foi um grande governador do nosso Estado. Foi um visionário. Tanto é verdade, que nessas eleições aqui, onde eu passava, muitas pessoas lembravam o nome do Júlio Campos, perguntavam onde tava o doutor Julinho, como estava o estado de saúde dele, como estava ele, etc., etc. Porque foi um grande governador. Diário - Júlio Campos é uma aposta para Várzea Grande? Jayme - Não significa que é uma aposta. Nós estamos nos referindo ao passado, à questão da Era Campos. Diário - Mas é uma possibilidade... Jayme - Não descarto nenhuma possibilidade. Eu acho que nesse momento não se pode nem falar em política, tendo em vista que ele exerce um cargo que é impeditivo para ele até fazer comentários políticos, porque a lei não permite fazer política. Ao contrário, ele é um juiz. Diário - Se for um entendimento do partido pelo nome dele (Júlio)? Jayme - Tem que aguardar, eu particularmente acho que é muito cedo, até porque as convenções podem ser realizadas até 30 de junho do ano que vem. Falar em eleição municipal acho que é muito precoce. Mas isso é fruto do próprio regime democrático estarem havendo essas especulações. É obvio que esse é um assunto que a gente tem que ver no momento oportuno, no momento certo ter um nome, ninguém pode desconhecer o prestígio do Júlio Campos, o prestígio da família Campos em Várzea Grande. Sempre respeitamos os nossos aliados, sobretudo aquele que também tem a pretensão de lançar o nome, como o caso do Wallace, o doutor Arilson Arruda, Wilson da Grafitte e outros que naturalmente possam surgir. De forma que o mais importante é que nós temos bons candidatos para o cargo de prefeito de Várzea Grande, dentre eles, se naturalmente ele aposentar, poderá ser o próprio Júlio Campos. Diário - E o deputado Wallace estaria se sentindo desprestigiado dentro do partido. Teve um convite feito a ele para ingressar no PTB? Jayme - Muito pelo contrário, ele é muito prestigiado. Tanto é verdade, que foi vereador pelo PFL, candidato a deputado federal pelo PFL, candidato a prefeito pelo PFL e deputado estadual pelo PFL. Então, muito prestigiado, e ninguém desconhece o valor dele. Sempre foi respeitado pelo partido, sabemos as sua potencialidade eleitoral. Diário - O DEM de Várzea Grande poderá apoiar o deputado Maksuês Leite? Jayme - Não tenho nada contra o Maksuês, tem só um problema: o Maksuês não é do PFL, ou seja, não é dos Democratas e preferencialmente nós temos que ter candidaturas próprias nos 141 municípios do Estado. Eu gosto dele imensamente, agora entre ter um candidato do DEM e ele eu tenho a obrigação de trabalhar para candidato do meu o partido. Diário - E uma aliança para 2008? Jayme: Vamos analisar a possibilidade. Diário - Como o senhor está vendo a administração Murilo Domingos? Há dias o prefeito disse que o problema da administração eram os buracos da cidade, culpa de administrações passadas que não fizeram uma malha viária de qualidade... Jayme - Acho que eu sou suspeito para fazer algum comentário em relação à administração do Murilo Domingos, até porque eu não votei nele. Entretanto, nós temos que respeitar naturalmente a população de Várzea Grande, as opiniões da sociedade de uma maneira geral. Agora, fazer um comentário dizendo que a malha asfáltica é velha, sim, é. E eles conhecem que são quantos ex-prefeitos que já passaram por aqui? Mais de 10 ex-prefeitos fizeram o asfalto aqui em Várzea Grande. Agora, é desconhecer o trabalho que nós fizemos, na medida em que eu fiz quase 580 quilômetros de pavimentação asfáltica. Essa malha que eu executei na minha gestão ela tá ótima. Agora, a parte mais antiga da cidade, evidentemente, tem menos durabilidade. Imagino que tem que ser restaurada uma grande parte dessa malha. Mas uma coisa não supera outra. A obrigação dos prefeitos que assumirem, como é o caso dele, é tratar o buraco, recapear o asfalto, enfim, tomar as providências cabíveis. Você não pode, imagina, não estar conseguindo superar essas dificuldades e querer jogar essas dificuldades em cima das administrações passadas. Uma prefeitura é permanente, ou seja, o prefeito que assume tem obrigação de reformar colégios, praças públicas, etc., etc. Na medida em que os outros prefeitos o sucederem, também terão a obrigação de promover reformas. Imagino que são desculpas que não colam mais. Diário - O DEM no município é base aliada ou oposição? Jayme - O DEM me parece que tem vários vereadores que aprovam projetos de interesse da sociedade. O DEM não é obstáculo para ninguém, muito pelo contrário. O que nós defendemos, com certeza, é que qualquer que seja o governo nos temos a obrigação de dar o suporte suficiente para dar a governabilidade. Fazer oposição por fazer oposição eu imagino que não é a visão dos vereadores atuais de Várzea Grande. Diário - No cenário de Cuiabá, o ex-prefeito Anildo Lima Barros tem chances reais no pleito de 2008 pelo DEM? Jayme: Tem chance. Você há de convir comigo de que na Capital do Estado o Democratas não tem candidato próprio. Eu, particularmente, defendo que o partido tenha candidatura própria nas 141 cidades de Mato Grosso. É óbvio, depende do candidato. No caso do Anildo Lima Barros, ele já se habilitou. Diário - Como fica o DEM em Rondónopolis? Jayme - O DEM poderá ter candidatura própria. Diário - Já tem algum nome? Jayme - Esses dias atrás até o próprio ex-deputado Zeca D’Ávila colocou o seu nome à disposição do partido. É um dos nomes e com certeza outros nomes irão aparecer. Eu acho que o DEM em Rondonópolis terá candidatura própria. Também em Barra do Garças, Cáceres e assim por diante, Alta Floresta, Sinop, Tangará da Serra... Todos! É claro que há municípios de pequeno porte e de grande porte. Agora nada vai inviabilizar amanhã ou depois os próprios companheiros dos diretórios municipais de determinadas cidades achar por bem fazer coligações. Vamos ter que respeitar. Diário - Essa reedição da aliança com o PSDB? Jayme - Lá em Sinop. Mas não descarto nenhuma possibilidade, com o PSDB, com o PMDB, com o PR, com o PPS... Estamos abertos a entendimentos. Não estamos fazendo nenhuma coisa de forma forçada. Política é a arte do diálogo, do entendimento e, sobretudo, da sensatez, da coerência. Não da pressão, não. Se o partido achar que tem que se coligar novamente em Sinop, vamos apoiar. O que eu disse e volto a reiterar aqui é que, em Sinop o PFL já apoiou lá o PSDB, aí ficou feito até certo ponto um compromisso de que nessa eleição o PSDB apoiaria o PFL, hoje Democratas. Acho que é questão até de cumprimento de acordo. Agora, depende do diretório lá dos democratas discutir para saber se é a melhor opção a candidatura própria. Diário - A questão do governador Blairo Maggi. O senhor fez um discurso e chegou a chamar o governo de “podre”? Jayme - Isso foi mal-interpretado, lamentavelmente. Não teve crítica nenhuma. O nosso relacionamento é muito bom, com o Blairo. Estive com ele na semana passada lá em Alta Floresta e tudo está muito bem. Não houve essa conversa de governo podre. Lamentavelmente, inseriram truques de palavras e gerou esse constrangimento. A conversa não foi nesse nível. O dia em que tiver que falar, eu vou falar, e vou falar pessoalmente. Não jogo bola pelas costas, eu sou um homem muito sincero. Talvez um dos graves problemas meus como político é que sou um homem assim, sincero. Eu falo conforme o que é oportuno e, sobretudo, falo a verdade. E às vezes o político na maioria não usa da verdade, às vezes para tirar algum proveito, e não é a prática do Jayme Campos. Eu sou muito sincero e sou um homem transparente nas minhas ações e não abro mão das minhas convicções. Aquilo que eu acho que é o correto não tem por que não falar. Diário - Qual a avaliação do segundo mandato do governo Blairo Maggi, senador? Jayme - Não dá para avaliar muito bem. Até porque tá iniciando agora, tem só seis meses. Eu imagino que até poderá ser bom. Mas até agora nem dá para fazer uma avaliação, porque são poucos dias de governo e imagino que ninguém tem capacidade de fazer uma avaliação a respeito do mandato dele ainda. É muito cedo! Diário - Projeto 2010. O senhor coloca seu nome para o governo do Estado? Jayme - Eu não tenho essa pretensão. Já fui governador e prefeito. O povo me deu uma procuração por oito anos, não tenho essa pretensão de ser candidato a governador. Evidentemente, a velha história, “o futuro a Deus pertence”. Mas não é a minha visão. Não sou eu, particularmente. Diário - Se for um entendimento do partido... Jayme - Mas acho que o partido tem outros bons nomes. Diário - Quem? Jayme - O próprio senador Jonas Pinheiro é um bom nome. Tem outros tantos companheiros nossos por aí que poderão ser candidatos. Eu acho que nesse período aí para frente poderão aparecer outras lideranças emergentes, que vão surgir espontaneamente no decorrer do andamento do processo eleitoral. É o caso do próprio Blairo. Naquela época não tinha muita pretensão, surgiu e ganhou as eleições. Então pode surgir, ninguém pode descartar essa possibilidade. Agora eu sou um homem partidário, mas confesso que não tenho nenhuma pretensão. Tenho um mandato de oito anos e pretendo cumprir com muita honradez. Diário - Qual é a expectativa do DEM por conta da decisão do Tribunal Superior Eleitoral, que delega o domínio dos mandatos aos partidos e não aos eleitos? Jayme - O DEM já tinha ingressado lá no TSE pedindo os mandatos de volta. Primeiro entrou na Mesa da Câmara pedindo de volta. Não conseguindo, entrou no STF e estamos aguardando a decisão. Me parece que está saindo outra decisão, uma PEC para permitir que as pessoas continuem, ou seja, que permita ainda às pessoas a mudança de partido. Entretanto, só na Reforma Política que vai acontecer agora me parece que será prioridade no Congresso Nacional. Diário - Mas o senhor acha justa essa decisão do TSE que ocorreu após a mudança de partidos de muitos eleitos? Jayme: Eu defendo literalmente a fidelidade partidária, cláusula de barreira, financiamento público de campanha... São pontos importantes que vão fazer com que a política seja coisa séria. Não pode política ser balcão de negócio. Lamentavelmente, uns viraram de partido. Eu imagino que teve alguma negociação. Não tem por que. Até porque quando você é eleito vai dentro da doutrina partidária, dentro da proposta do partido, aí depois você vira. Então, eu sou contra!

Edição EDIÇÃO 16966




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