Primeira Página
Quarta-feira, 11 de Julho de 2012, 22h:34
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CRIMES ELEITORAIS
Abuso de poder econômico está no foco
Promotor de justiça reforça sobre cuidados que eleitores devem ter com ilegalidades no período que antecede pleitos
RENATA NEVES
Da Reportagem
Propaganda eleitoral excessiva e abuso de poder político e econômico estão entre os principais crimes cometidos pelos candidatos durante a campanha e, por isso, merecerão atenção especial por parte do Ministério Público Estadual. Um dos promotores de Justiça designados para atuar no acompanhamento e fiscalização de propagandas eleitorais, Alexandre Matos Guedes, ressalta a importância da propaganda eleitoral para que os cidadãos conheçam os candidatos e as propostas dos mesmos. No entanto, chama a atenção para as determinações previstas na legislação eleitoral. Entre as formas de propagandas vedadas, estão a confecção, utilização e distribuição de brindes como camisetas, bonés, chaveiros, entre outros. Também é proibido realização de showmícios e divulgação de propaganda em bens públicos e nos de uso comum, incluindo postes de iluminação e sinalização de tráfego, viadutos, passarelas e pontes. Faixas, cartazes e placas devem ter tamanho máximo de quatro metros quadrados e não podem ser afixados em bens particulares de uso comum ou bens particulares tombados. O candidato que confeccionar propagandas acima do tamanho permitido pode ser punido com multa de R$ 2 mil a R$ 8 mil. Nosso objetivo é mais orientativo do que repressivo, mas estamos atentos a qualquer tipo de violação à lei. O que podemos observar é que a maior parte dos erros é o excesso de propaganda ou a confecção das mesmas fora do tamanho permitido. O abuso de poder econômico e político, por sua vez, pode ser percebido pelo excesso de propaganda de determinado candidato. Segundo o promotor, além de indicar a utilização de recursos ilícitos, a propaganda em demasia pode desequilibrar a disputa política. O abuso do poder é preocupante, pois é praticado para influenciar a vontade do eleitor e desviar o foco da democracia. Esse abuso, muitas vezes, vem através da propaganda. O objetivo da propaganda é garantir igualdade de oportunidade aos candidatos e, se for feita de maneira excessiva por um candidato, essa igualdade acaba sendo quebrada. O abuso de poder econômico, por doação de brindes ou compra de votos, é um pouco mais difícil de ser percebido e combatido, pois, segundo Guedes, na maioria das vezes apenas os interessados ficam sabendo. O que podemos dizer é o seguinte: tudo o que o candidato dá tem algum interesse envolvido nisso e normalmente isso envolve recursos ilícitos, porque não são contabilizados. Esses recursos ilícitos têm que vir de algum lugar e precisam ser ressarcidos depois, então, às vezes, o dinheiro que esse cidadão recebe vai custar muito mais caro depois porque é o dinheiro que vai ser desviado da saúde e da educação, por exemplo. O candidato que descumpre a lei na campanha, provavelmente vai descumprir a lei, se eleito. Para garantir a lisura do processo eleitoral, o MP convoca os cidadãos a denunciarem práticas ilícitas. Quem tiver conhecimento de uma infração eleitoral deve comunicá-la ao juiz eleitoral da Zona Eleitoral onde a mesma ocorreu. Também pode procurar diretamente o promotor eleitoral do seu município ou entrar em contato com a Procuradoria Regional Eleitoral pelo telefone (65) 3612-5089 ou com a Ouvidoria Eleitoral (0800-647-8191).