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Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011, 19h:42

VÁRZEA GRANDE

400 servidores não vão ao trabalho em VG

Prefeito interino informou ao Diário que uma fiscalização in loco apontou a existência de centenas de funcionários ausentes do serviço público

ANA ROSA FAGUNDES
Da Reportagem
Mais de 400 servidores da prefeitura de Várzea Grande terão os salários suspensos por não comparecerem ao local de trabalho. O prefeito interino Sebastião dos Reis Gonçalves, o Tião da Zaeli, determinou uma fiscalização in loco para detectar os funcionários fantasmas. Conforme Tião, a partir de segunda-feira os vencimentos serão bloqueados e o ponto cortado. Será aberta uma sindicância contra 418 servidores que, durante a fiscalização, não foram encontrados no local de trabalho. A maioria deles está lotada nas secretarias de Educação e Saúde, que são as maiores pastas da prefeitura, correspondendo a 60% do número total de servidores. O prefeito explicou o fato dos servidores não estarem no local de trabalho nos dias das inspeções não significa que não estejam trabalhando. “Às vezes está lotado na escola A, mas foi remanejado para a escola B. Mas tudo será apurado na sindicância. E com o bloqueio dos salários esperamos que esses servidores apareçam”, disse o prefeito. Além desse pente-fino na folha salarial, o prefeito também determinou que cada secretário dispense 25% dos servidores comissionados ou contratados. Zaeli aponta que a prefeitura gasta muito com pagamento de pessoal e que o Executivo está inchado com indicações. Segundo Tião, o gasto com folha de pagamento é muito alto e será preciso reduzir cerca de 4% dos comissionados e contratados para que a prefeitura não infrinja a Lei da Responsabilidade Fical (LRF). Tião ressalta que a prefeitura está inviabilizada financeiramente, que o dinheiro é praticamente todo utilizado para pagamento de salários e custeio. “Não sobre nada para investimento”, resume. As denúncias de funcionários fantasmas na prefeitura de Várzea Grande são recorrentes. Quando Murilo Domingos e Tião da Zaeli foram afastados do cargo pela primeira vez, em março deste ano pela Câmara Municipal, o prefeito em exercício, o então presidente do Legislativo, João Madureira (PSC), anunciou operação caça-fantasma. O caso gerou repercussão nacional, já os cerca de 7 mil servidores efetivos, contratados e comissionados tiveram que ir à sede da prefeitura para receber seus contracheques. Tião, eleito vice-prefeito, está como o titular da prefeitura há 20 dias, depois que a Justiça afastou o prefeito Murilo Domingos por atos de improbidade administrativa. Os processos são de 2005, referentes ao primeiro mandato do prefeito afastado. Enquanto isso, Tião vai tentando aos poucos fazer sua administração. Embora seja vice de Murilo, eles estão rompidos politicamente. Há quatro meses Tião estava afastado da prefeitura. “É uma situação difícil aqui, vai ser difícil arrumar tudo, mas estamos buscando o melhor em pouco tempo”, disse o prefeito em exercício.

Edição EDIÇÃO 16962




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