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Cuiabá MT, Sábado, 20 de Junho de 2026

POLÍTICA
Terça-feira, 28 de Abril de 2026, 16h:30

'GUERRA' PELO PALÁCIO PAIAGUÁS

Disputa cresce e torna mais provável uma eleição em dois turnos

Senador Jayme Campos mantém a pré-candidatura. Base de Mauro Mendes 'canta" vitória em convenção

MARCOS LEMOS
Da Reportagem
Divulgação
Jayme e Mauro, aparentemente, não revelam divergência. A guerra é nos bastidoress do União Brasil

A disputa interna pela candidatura própria da Federação União Progressista chegou a um estágio em que o retrocesso pode ser mais danoso do que as atuais postulações.

A defesa da candidatura própria pelo senador Jayme Campos (União), reforçada em postagens em suas mídias sociais na segunda-feira (27), contraria a posição de Mauro Mendes, que defende o apoio a uma coligação com o Republicanos do governador Otaviano Pivetta. Essa divergência, manifestada de forma maniqueísta por aqueles que preferem se subjugar a planos de manutenção do poder a qualquer custo, criou uma “fenda”.

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A cisão entre os grupos políticos de Jayme e Mauro é algo inexorável. Portanto, independentemente do resultado — com ou sem convenção —, o União Brasil está rachado, com uma grande fissura de difícil reparação, o que remete a uma situação ainda mais danosa: as consequências nas eleições de outubro.

Quanto ao Partido Progressista, ele representa, literalmente, o sentido da palavra: um partido fragmentado, um naco, um pedaço sem representação político-eleitoral consistente. Ou seja, voto que é bom, há tempos o PP ou seus candidatos não têm para apresentar ao eleitor mato-grossense.

Esses elementos demonstram que o cenário político-eleitoral é o mais instável possível no âmbito da Federação União Progressista (União e PP), o que pode representar um impulso para adversários dos grupos liderados por Jayme Campos e Mauro Mendes.

Aliás, o ex-governador prefere não entrar diretamente em rota de colisão e envia seus aliados para, em entrevistas, esvaziarem uma eventual candidatura própria. No entanto, em Brasília, já tentou de todas as formas fazer com que a cúpula da federação União Progressista — presidida por Antônio Rueda (União) e pelo senador Ciro Nogueira (PP) — interviesse nos diretórios estaduais para afastar a possibilidade de ruptura.

O ex-ministro, ex-senador, ex-governador e megaempresário Blairo Maggi (PP), em recente entrevista, alertou o governador Otaviano Pivetta e o próprio Mauro Mendes sobre a necessidade de construir um palanque com a participação de Jayme Campos, sob pena de comprometer as chances de vitória do grupo político.

Esse grupo, por sinal, estaria fragilizado pela condução político-partidária de Mauro Mendes, que teria usufruído do apoio de partidos aliados, como MDB e PL, em 2018 e 2022, mas posteriormente entrou em rota de colisão com essas siglas ao priorizar um projeto de manutenção no poder.

Em recente evento em Sinop (a 503 km ao norte de Cuiabá), a Norte Show, Jayme Campos almoçou com Pivetta, Mauro Mendes, o irmão Júlio Campos e o prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), entre outras autoridades, no dia 22. À tarde, o grupo recebeu o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL/RJ).

No entanto, o clima político não parece ter sido harmonioso. Jayme reafirmou sua pré-candidatura ao governo pelo União Brasil na manhã de segunda-feira (27). Já no período da tarde, aliados de Mauro Mendes, por meio da empresária Margareth Buzetti (PP), manifestaram à imprensa a tendência de a maioria da federação apoiar a reeleição de Pivetta.

Ambas as possibilidades seguem em aberto. Resta saber quais serão as consequências de cada escolha. Como ocorreu em 2024, na disputa pela Prefeitura de Cuiabá, a candidatura do deputado Eduardo Botelho (então no União Brasil, hoje no MDB) foi enfraquecida por declarações do então governador, que acabaram esvaziando o projeto político do candidato e do partido.

Na ocasião, o movimento favoreceu o atual prefeito Abílio Brunini, que disputou o segundo turno contra o deputado estadual Lúdio Cabral (PT). Apesar do crescimento de Lúdio entre o primeiro e o segundo turno, o avanço não foi suficiente para garantir sua vitória.

Abílio Brunini obteve 126.944 votos (39,61%) no primeiro turno, contra 90.719 votos (28,31%) de Lúdio. No segundo turno, foi eleito com 171.324 votos (53,80%), contra 147.127 votos (46,20%) do adversário.

Entre os dois turnos, o crescimento de Lúdio foi maior em termos absolutos e proporcionais, mas insuficiente para reverter o resultado.

Abílio, por sua vez, tem retribuído o apoio recebido do Palácio Paiaguás com manifestações claras de preferência pela candidatura de Pivetta, em detrimento do senador Wellington Fagundes (PL), que conta com o respaldo de Flávio Bolsonaro.

Certo é que a fragmentação da Federação União Progressista aponta para uma decisão difícil: optar por candidatura própria com Jayme Campos ou por uma aliança com Pivetta, além do desafio de unificar forças que foram determinantes para a eleição de Mauro Mendes em 2018.

Em 2014, Pedro Taques foi eleito governador com o apoio desse mesmo grupo político, obtendo 833.788 votos (57,25%). Já em 2018, Mauro Mendes venceu com 840.094 votos (58,69%), praticamente repetindo o desempenho eleitoral anterior.

Naquele pleito, votos brancos e nulos somaram 325.854 (8,54%), enquanto 572.006 eleitores (24,56%) se abstiveram.

O cenário atual, no entanto, é mais complexo e imprevisível. Com possíveis candidaturas de Otaviano Pivetta, Jayme Campos, Wellington Fagundes e Natasha Slhessarenko, Mato Grosso pode, pela primeira vez em sua história política recente, ter um segundo turno na disputa pelo governo estadual.

Desde a Constituição de 1988, que instituiu a exigência de maioria absoluta para eleição em cargos majoritários, o estado sempre decidiu suas eleições para o Executivo no primeiro turno.

A eventual quebra desse tabu reforça a instabilidade do cenário político e intensifica a disputa entre aliados, adversários e partidos rumo às eleições de outubro.


Edição EDIÇÃO 16967




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