Atípica. Neste ano, faltando dois meses para a eleição ao Palácio Paiaguás, que acontecerá em 2 de outubro, não há polarização como nos pleitos anteriores.
Sem nomes definidos pelos principais blocos de oposição, o governador Mauro Mendes (União Brasil) e o vice Otaviano Pivetta (Republicanos), que tentarão a reeleição, enfrentam apenas a chapa do PSol, com Moisés Franz e Frank Melo.
A indefinição da federação formada pelo PT, PCdoB e PV, considerada a oposição com maior densidade eleitoral, fortalece o PSol, que deverá receber a votação dos descontentes com o Governo de Mauro Mendes.
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A atipicidade engloba situação e oposição.
Somente no começo desta semana, Mauro e Pivetta anunciaram que manterão a chapa que os elegeu no primeiro turno, em 2018.
Christiano Antonucc/Secom-MT
Mauro Mendes: aliados chegaram a prever que ele venceria o pleito por "W.O."
No final do mês, o PSD realizou convenção. A federação liderada pelo PT bate cabeça.
Os petebistas se dividem entre o lançamento da coronel PM Zózima Dias dos Santos.
Os demais partidos abriram mão da disputa em apoio a Mauro Mendes, e lançam chapas com o chamado "voto camarão"
Sem coligação para as candidaturas aos cargos proporcionais, o palanque de Mauro Mendes terá congestionamento de candidatos de diversas siglas, o que poderá criar atritos internos.
"Sem W.O., é Moisés sem dó". Esse é o bordão de Moisés Franz, homologado candidato ao Foverno pela federação de seu partido, o PSol, com a Rede Sustentabilidade.
Seu companheiro de chapa e correligionário é Frank Melo.
O bordão nasceu dos comentários nos meios políticos de que o governador Mauro Mendes poderia ganhar por W.O.
Candidatura à parte, Moisés reconhece que sua luta não será fácil, mas aposta no descontentamento do eleitorado com a classe política que se reveza no poder em Mato Grosso.
Essa crença, talvez, seja a razão para não apoiar nem a tentativa de reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL) nem a candidatura do ex-presidente Lula da Silva (PT) novamente ao cargo.
Nem Lula nem Bolsonaro, mas esse distanciamento não o leva a revelar quem ganhará seu voto para a Presidência.
Crítico de Mauro Mendes e de seus antecessores, os chama de mentirosos, "que somente prometem e nada fazem".
Irônico, diz que, em Cuiabá, existem mais placas de obras inacabadas do que cruzes nos cemitérios.
Espontaneamente, disse que sua primeira obra ao assumir o Governo – caso o conquiste – será a retomada da construção do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), em Cuiabá e Várzea Grande, "porque não posso imaginar um sistema de transporte igual ao BRT, com ônibus poluentes e velhos, que serão mandados para Cuiabá, como se fossem novos".
Divulgação
Moisés Franz disputará o Governo de Mato Grosso pela segunda vez
Moisés disputou o Governo em 2018, pelo PSol e cravou 14.724 votos, numa chapa partidária, tendo como vice o enfermeiro Vanderley Guia.
Nesta eleição, seu candidato a vice é Frankciane da Silva Melo, o Frank Melo, militante do PSol e que, em 2020, foi candidato a vereador por Cuiabá, quando recebeu apenas 89 votos.
O ex-deputado federal Victorio Galli e o sindicalista rural Antônio Galvan lideram o PTB e defendem Jair Bolsonaro à reeleição.
Porém, os petebistas ainda não sabem se terão ou não candidatura ao Governo.
Uma ala defende o nome da coronel da reserva da Polícia Militar, Zózima Dias dos Santos, que já concorreu à Câmara dos Deputados e foi candidata a suplente de senadora.
Na federação que dá sustentação a Lula da Silva, reina a indefinição.
Em 29 de maio, o PT realizou um "Encontro de Tática", no qual 95 de seus 138 delegados escolheram ao Governo o professor da Universidade do Estado (Unemat), Domingos Sávio Garcia, mas tanto o partido quanto a federação jogaram Garcia no limbo.
A ex-reitora da Universidade Federal (Unemat), Maria Lúcia Cavalli Neder, foi lançada pré-candidata pelo PCdoB, mas, antes que seu nome fosse submetido à federação, ela publicou carta recuando da disputa.
Filiado ao MDB, o prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, lançou o nome de sua mulher, Márcia Pinheiro (PV), ao Governo, mas as reações internas foram negativas.
O prazo limite para a realização de convenção é o próximo dia 5, sexta-feira.
Portanto, em três dias, a principal base de oposição terá que definir uma chapa ao Governo, sob pena de ficar fora do processo eleitoral num pleito onde seu principal nome, o ex-presidente Lula, desponta com chance real de vitória.
Caso a decisão seja essa, o PSol, antecipadamente, agradece.




