O caminhoneiro que ficou cerca de 24 horas num cativeiro improvisado disse que viveu momentos de terror. Além de não receber comida nem água, os dois criminosos que o vigiavam ameaçavam atirar o tempo todo. Entre as noites de sábado e domingo, o telefone dos criminosos tocou algumas vezes. Numa delas, avisou-se que o motorista com a carreta roubada havia sido interceptado pela polícia. A vítima ficou algemada todo o tempo. O caminhoneiro confessou ter ficado com medo das ameaças e disse que os dois criminosos que o vigiavam também jejuaram não receberam nem água. Se eu disser que não fiquei com medo, estaria mentindo. Qualquer um na minha situação ficaria com medo. Infelizmente, a gente sabe a hora que sai de casa, mas não tem hora para voltar. Ele saiu de Lucas do Rio Verde no sábado com uma carga de soja com destino ao terminal ferroviário de Alto Araguaia. Parou no posto São Mateus, em Cuiabá, para calibrar os pneus. Assim que desceu da cabine, foi rendido por três homens armados. Em seguida, foi colocado num carro e levado para o matagal. Não vi direito o carro em que fui colocado. Só sei que os homens estavam encapuzados. No tempo em que fique lá (no cativeiro), ficaram dois que se revezaram. Nesse tempo fizeram poucas ligações pelo celular. Numa delas deu para perceber que algo estava errado para eles, relatou. Por volta das 22 horas do domingo, houve o último telefonema entre os bandidos. Minutos depois, amarraram o caminhoneiro com fita crepe e saíram. Antes, porém o avisaram para sair de lá somente de madrugada. A vítima esperou alguns minutos e caminhou até um posto de combustível na Rodovia dos Imigrantes. De lá, ligou para o patrão. A filha dele atendeu e me disse que a carreta tinha sido encontrada. Para mim, foi como se fosse uma estrela que brilhou na minha cabeça, foi um alívio. (AR)