POLÍCIA
Sábado, 05 de Julho de 2008, 15h:04
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CHACINA ALTOS DA SERRA
Suposto mandante será julgado na 3ª
ADILSON ROSA
Da Reportagem
Sob um forte esquema de segurança, o mototaxista Edmilson dos Santos Siqueira será trazido na próxima terça-feira de Campo Grande (MS) para Cuiabá. Será levado direto para o Tribunal do Júri da Comarca da Capital. Ele vai ser julgado como mandante do assassinato de Luciana da Silva Nunes, de 26, crime ocorrido em junho de 2004. Ela foi executada por três rapazes porque era testemunha de acusação contra Siqueira no caso da Chacina do Altos da Serra, e também por tráfico de drogas, segundo o Ministério Público Estadual (MPE). O mototaxista responde processo como mandante da chacina. Siqueira está preso há mais de um ano na Penitenciária Federal de Mato Grosso e será trazido de avião por agentes prisionais e escoltado por agentes federais. Ele foi transferido para lá junto com Sandro da Silva Rabelo, o Sandro Louco, Maurício Domingos da Cruz, o Raposão e outros. O mototaxista será julgado por homicídio triplamente qualificado - motivo torpe, emboscada e crime de mando. Assim que terminar o julgamento, será escoltado novamente para Campo Grande. Interrogado em juízo na comarca de Dourados (MS), por Carta Precatória, Siqueira negou a autoria do delito, afirmando ser inocente, e que não conhece os demais acusados do processo. Disse que não pode ter ordenado a execução de Luciana porque, à época dos fatos, encontrava-se recolhido no presídio em isolamento, em Cuiabá. Conhecia Luciana apenas pelos noticiários de televisão. Luciana da Silva Nunes foi executada com quatro tiros em sua casa, no dia 7 de julho de 2004, no Altos da Serra, em Cuiabá. Três rapazes entraram no recinto e renderam a irmã da vítima e o namorado, levados para os fundos. Apagaram a luz da área e ordenaram que ninguém olhasse para o rosto deles. Esperaram cerca de uma hora e meia. Assim que Luciana chegou, um deles saiu atrás de uma árvore e começou a falar: é ela, ela, quieta. Nós somos policiais. Em seguida, os cúmplices saíram dos fundos da casa e ordenaram para que a vítima se deitasse no chão. A amiga de Luciana ficou de costas. Na seqüência, como se fosse um tribunal de inquisição, os três a executaram com quatro tiros. No dia seguinte, numa ação orquestrada, o marido dela, Márcio César Pereira Vasconcelos foi executado dentro da Penitenciária Central do Estado (antigo Pascoal Ramos). Siqueira responde também como mandante e o processo tramita na 12ª Vara Criminal da Capital. Segundo a denúncia do MPE, os três criminosos agiram a mando de Siqueira, pois Luciana era testemunha da chacina do Altos da Serra, como ficou conhecido o assassinato de seis pessoas em março de 2001. Em depoimento, ela apontava Siqueira como um dos mandantes da chacina. O marido de Luciana pedia para ela deixar a casa, pois Siqueira a mataria por causa do testemunho na chacina.