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Cuiabá MT, Domingo, 14 de Junho de 2026

POLÍCIA
Quarta-feira, 20 de Abril de 2011, 20h:19

OPERAÇÃO ERGÁSTULO

Seis agentes de segurança são presos

Três PMs e 3 agentes prisionais são acusados de facilitar entrada de drogas em presídio, em favor de quadrilha de traficantes comandada lá de dentro

ADILSON ROSA
Da Reportagem
Três policiais militares e três agentes prisionais estão entre os 13 presos durante a Operação Ergástulo (cadeia pública), desencadeada ontem de manhã pelo Grupo Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco). Deste total, cinco já estavam atrás das grades. As prisões desarticularam um esquema de tráfico de drogas que funcionava dentro da Penitenciária Central do Estado (PCE) – antigo Pascoal Ramos. As drogas eram fornecidas por traficantes comuns da Capital e chegavam às mãos de três chefes do tráfico – Burt Lancost da Silva Meneses, Amilton Rodrigues de Souza e Everaldo Manoel Hurtado, segundo o Gaeco. Ainda conforme as investigações, para que a droga entrasse na penitenciária, havia a conivência de três policiais militares – Cássio Renato dos Reis, Leonardo de Freitas e Júlio Cesar de Amorim – que trabalhavam no Corpo do Guarda e são responsáveis pela revista das visitas. O esquema era completado por três agentes prisionais – Ronei José da Silva, Udeson de Souza Lima, preso há alguns meses, e Valderson Wilson Guimarães, que está foragido. As investigações apontam que a droga chegava através de vários traficantes – um deles é Júnior Queiroz Ferreira, o “Poquemon” - que deixavam os papelotes em duas barracas de lanche que funcionavam na frente do presídio. De lá, os policiais pegavam os pacotes e conseguiam levá-los para os presos. As responsáveis pelas barracas – Aline Laura Ferreira da Silva e Liliane Leite Silva - também foram presas, sendo que esta última foi flagrada com drogas em novembro do ano passado. Na ocasião, foram encontrados também celulares e litros e uísque na casa dela e que seriam endereçados aos detentos. Segundo o promotor criminal Sérgio Silva Costa, o esquema começou a ser investigado a partir de maio do ano passado, quando começou a suspeita de que PMs facilitavam a entrada no presídio. Na ocasião, dezenas de pessoas entraram sem a carteira de visitantes e suas entradas não eram registradas. “As suspeitas foram confirmadas em maio com uma bolsa de visitante abandonada no pátio, sem dono. Na bolsa, havia 6,6 quilos de maconha, 200 gramas de cocaína, além de carregadores e oito celulares”, explicou. Uma semana depois, outro PM que estaria envolvido no esquema, Fábio Barbosa Duarte, foi preso entrando com entorpecente na unidade. Os promotores do Gaeco descobriram que havia agentes públicos – tanto policiais como agente prisionais – envolvidos no esquema de entrada de drogas, celulares e até armas dentro da penitenciária. O que chamou a atenção dos promotores do Gaeco foi que os policiais e agentes prisionais recebiam quantias irrisórias para fazer parte do esquema. Seria entre R$ 100 e R$ 300 para cada “correria” (entrada de produtos). Para o coordenador do Gaeco, o procurador de justiça Paulo Prado, os agentes corrompidos recebiam pouco, mas o lucro dos traficantes era exorbitante. Ele acrescentou ser preciso dar uma solução para o problema. “É necessária uma reunião com o governador e o Tribunal de Justiça para encontrar uma solução, porque as cadeias estão se tornando um barril de pólvora. Se não forem tomadas medidas urgentes, perderemos o controle”, frisou. Ontem à tarde, alguns presos foram interrogados pelo Gaeco, entre eles o agente prisional Ronei e os policiais militares Leonardo, Cássio e Júlio César. Também prestaram depoimento Odair Alves Pereira, Sandro Antonio Barbosa Michelon, Junior Queiroz Ferreira e Aline Laura Ferreira da Silva. Os agentes públicos são acusados dos crimes de corrupção ativa e passiva e associação ao tráfico. Os demais, de tráfico de drogas, associação ao tráfico e formação de quadrilha, com atuação contínua nas imediações e dependências da penitenciária.

Edição EDIÇÃO 16962




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