A revista realizada anteontem à tarde na Cadeia Pública do Carumbé não rendeu somente a apreensão de drogas e cordas artesanais. Resultou também na apreensão de 31 telefones celulares de diversos modelos e operadoras, sendo quase a totalidade da modalidade pré-pago. A apreensão ocorreu nas celas da ala D, considerada a mais calma. Agentes prisionais informaram que essa é a maior apreensão de celulares numa unidade prisional da Grande Cuiabá. No entendimento deles, trata-se de uma central telefônica instalada dentro de um presídio. É muito celular para presos. Virou uma festa mesmo, observou um deles. Ao contrário da droga e das marias-teresas, os celulares não foram levados para a Delegacia do Complexo do Planalto. Foram encaminhados para a Superintendência do Sistema Prisional que vai investigar com quais detentos os aparelhos estavam. As investigações se estenderão também em relação à forma como esses celulares entraram no presídio. As suspeitas recaem sobre as visitas que escondem os aparelhos dentro das partes íntimas. Não só celulares, como drogas, explicou um agente prisional. O que chama a atenção é que existe um sistema eletrônico de detector de metais idêntico ao usado em lojas para apitar caso alguém saia com produto com etiqueta. Além disso, o Sistema Prisional encomendou várias banquetas detectoras de metal. Além de presos que falam diariamente com familiares, os detentos fazem uso criminoso do aparelho ao combinar assaltos, encomendando carros roubados ou mesmo drogas. Conforme o parente de um detento do Carumbé, o uso de celular dentro do presídio é mais comum do que se imagina. Os créditos para os aparelhos são pagos por familiares de presos que adquirem cartões de diversas operadoras. O difícil é entrar com o celular. Colocar créditos para os celulares a cartão é fácil. Basta ir a qualquer lugar e fornecer o número que o celular está com créditos, explicou. Ele acrescentou que são os celulares do presídio que fazem a ligação e não o contrário. (AR)