POLÍCIA
Terça-feira, 11 de Agosto de 2015, 20h:29
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VÁRZEA GRANDE
Membros de grupo de extermínio serão presos, garante delegada
Homens encapuzados, com espingardas e pistolas estariam matando em nome da ordem e da paz
RODIVALDO RIBEIRO
Da Reportagem
Uma versão perversa da Liga da Justiça estaria atuando em Várzea Grande e provavelmente Cuiabá, admitiu a titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), delegada Anaíde Barros de Souza, nesta terça-feira (11). No lugar de Superman, Batman e Mulher-Maravilha, da Liga original norte-americana, homens encapuzados, portando espingardas calibre 12 e pistolas nove milímetros. Ao invés de defender a ordem e a paz para servir e proteger a população da qual fazem parte, impedindo crimes e levando bandidos à justiça, a insana certeza de que eliminar a todos, atirando a esmo acertando, inclusive, quem estiver com eles, sendo ou não criminoso, como ocorreu com uma menina de 15 anos dias atrás e uma idosa de 79, ontem (11) é o melhor caminho para tornar a comunidade onde provavelmente vivem mais calma e pacífica. Somente este ano, já aconteceram 83 assassinatos em Várzea Grande apenas de janeiro a julho. O campeão do ranking macabro até agora é maio, com 16 pessoas descendo à vala após perecer pelas mãos de outros. E, por incrível que pareça, o intervalo este ano anda bem mais tranquilo que a mesma época do ano passado, quando nada menos que 126 pessoas já haviam sido eliminadas nos sete primeiros meses de 2014. Estatística favorável que não foi o suficiente para salvar as três pessoas mortas no domingo (09) no brevíssimo tempo de uma hora e quinze minutos. Como a escalada de execuções em Várzea Grande não arrefece, a Polícia Civil passou a considerar o que já se comenta nas ruas há um tempo: há sim grupos de extermínio atuando por lá. É a famosa Liga da Justiça. Estamos trabalhando com a hipótese de que aqueles mesmos quatro homens vistos em um carro escuro [provavelmente um Voyage] e que atuam à noite sejam os culpados pelos crimes de execução em Várzea Grande, disse a comandante da DHPP, Anaíde Barros de Souza. Ela se referia às vítimas Leonardo Rodrigues de Souza, 22 anos, morto em uma lanchonete no bairro Jardim Maringá com dois tiros na cabeça e um no peito enquanto estava sentado, esperando por um lanche. O responsável pelo homicídio teria chegado e fugido no tal carro escuro. Testemunhas teriam dito que os anti-super heróis teriam gritado que iriam dar uma passada na Manga (outro bairro da periferia de Várzea Grande). E cumpriram a ameaça, pois minutos depois a Polícia Militar atendia outro crime de execução, desta vez de Paulo Sérgio Duarte, 26 anos, no já aludido bairro da Manga, parte do Grande Cristo Rei. Paulo estava em casa quando foi assassinado com tiros na nuca e costas. Com ele, os homicidas aproveitaram e feriram também uma idosa de 79 anos, dona Francisca Ribeiro da Silva, 79 anos, com um tiro na perna. Ela segue internada no Pronto Socorro da cidade. Minutos depois, era a vez de Edinaldo Silva dos Santos, 28 anos, vulgo Gambá, executado a sangue-frio com dois tiros, um na cabeça, outro no peito. Em regime semiaberto, Silva dos Santos portava uma tornozeleira de monitoramento eletrônico quando foi encontrado pela polícia. O responsável seria, de acordo com informações da polícia, alguém desconhecido referido por testemunhas. Sim, ele foi morto no perímetro dos outros dois assassinatos. O traço comum entre eles, continuou Anaíde Barros Souza, são os calibres variados a atingir as vítimas, indicação óbvia de que mais de um criminoso cometeu as execuções, pois dificilmente alguém se daria ao trabalho de sacar uma arma, atirar, depois sacar outra e repetir a operação. É um grupo de extermínio, mas vamos descobrir quem faz parte e prender, diz, convicta, a chefe da DHPP.