Um ano e meio depois do início das investigações, 34 pessoas vão responder processo por envolvimento em um esquema de tráfico internacional de drogas e receptação de carretas roubadas. A ação movida pelo Ministério Público Estadual, recebida pela Justiça. A quadrilha foi desarticulada na Operação São Cristóvão, da Polícia Federal, no dia 6 de novembro passado, quando pedidos de prisão e mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo. A informação de que o empresário Rondon Said Neto seria o líder de uma quadrilha de narcotráfico deu início às investigações que confirmaram a existência de uma organização complexa e estável, estruturada com divisão de tarefas entre os membros e que atuava em dois ramos: tráfico internacional de drogas e receptação de carretas roubadas, que eram adulteradas, vendidas ou levadas até a Bolívia para serem trocadas por drogas. As afirmações são do Ministério Público Federal. Para traficar a droga, a quadrilha agia importando cargas de cocaína da Bolívia que eram arremessadas de aviões em fazendas ao longo da fronteira seca de Mato Grosso. Depois, a droga era transportada em veículos, principalmente para o estado de São Paulo, para ser vendida aos traficantes locais. O segundo braço da organização atuava na receptação de carretas e caminhões roubados ou furtados, que posteriormente eram adulterados - clonados - e enviados para Bolívia. A clonagem consistia em fazer um caminhão ou carreta receptado parecer com outro veículo que estava em situação regular, ou seja, alterando chassi, pintura e acoplando placas com números sem pendências no Detran e outros órgãos de segurança. Na Bolívia, os caminhões eram vendidos ou entregues como parcela do pagamento das cargas de cocaína. (Com assessoria)